Venezuela/Prisão

Líder opositor venezuelano Leopoldo López é condenado a 13 anos de prisão

Leopoldo Lopez foi condenado a 13 anos de prisão
Leopoldo Lopez foi condenado a 13 anos de prisão REUTERS/Jorge Silva

O líder opositor venezuelano Leopoldo López foi condenado na noite de quinta-feira (10) a 13 anos e nove meses de prisão por promover a violência nos protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro em 2014. A juíza Susana Barreiros considerou López culpado de "danos e incêndio, instigação pública e associação para delinquir", segundo comunicado da Procuradoria Geral.

Publicidade

O opositor de 44 anos deverá cumprir a sentença na prisão militar de Ramo Verde, na região de Caracas, onde está detido desde 18 de fevereiro de 2014, quando se entregou às autoridades, segundo o Ministério Público.

As acusações estão relacionadas com as manifestações contra o governo de Maduro que deixaram 43 mortos no início de 2014. Depois do anúncio da sentença, a oposição convocou protestos de "forma pacífica", mas não anunciou uma data.

"Convocamos a exercer os protestos de maneira pacífica, democrática e constitucional", disse Jesús Torrealba, secretário executivo da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).

"Sou inocente"

Durante a audiência, ao se dirigir ao júri, antes de ouvir o veredicto, López disse à juíza que "se a sentença for condenatória, você terá mais medo de pronunciá-la do que eu de escutá-la, porque sabe que sou inocente".

O líder opositor e quatro estudantes foram julgados por fomentar os protestos contra o governo de Maduro que deixaram 43 mortos e mais de 3 mil feridos entre fevereiro e maio de 2014.

Um dos estudantes foi condenado a dez anos de prisão, e os outros dois a quatro anos cada um.

López, um economista de 44 anos com mestrado em Harvard foi o principal promotor da estratégia conhecida como "La Salida", que tentou derrubar Maduro por meio da pressão nas ruas.

O líder opositor foi condenado por promover a perturbação da ordem pública, danos à propriedade, incêndio e associação criminosa.

Falta de independência

O advogado Carlos Gutiérrez, que participou da defesa de López, disse que o julgamento foi repleto de irregularidades, que refletem a "falta de independência" da justiça venezuelana.

Na noite de quinta-feira, dezenas de militantes do partido Vontade Popular, fundado por López, permaneciam de vigília em uma praça do município de Chacao, na região de Caracas, que haviam ocupado mais cedo para rezar pela absolvição, constatou a AFP.

Após saber da condenação, várias mulheres que participavam da vigília choraram. A notícia da condenação provocou um forte panelaço nas imediações do tribunal, no centro de Caracas, para repudiar a decisão.

Agressão de chavistas

Durante o dia, a tranquilidade foi quebrada em torno do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) quando "chavistas" enfrentaram membros da Vontade Popular.

A VP denunciou que um de seus militantes morreu de infarto durante os incidentes, deflagrados quando um grupo de "chavistas" agrediu um partidário de López.

Vestidos com camisas vermelhas, os manifestantes "chavistas" agrediram os opositores com paus, obrigando-os a abandonar a esquina que ocupavam no centro de Caracas, constatou a AFP.

Pouco depois, efetivos da Guarda Nacional Bolivariana e da Polícia Nacional evitaram que os militantes "chavistas" seguissem em direção ao grupo da VP.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.