EUA não descartam pista terrorista na chacina de San Bernardino

FBI examina veículo que os supostos autores do ataque de San Bernardino utiizaram na fuga antes de serem abatidos na quarta-feira (2).
FBI examina veículo que os supostos autores do ataque de San Bernardino utiizaram na fuga antes de serem abatidos na quarta-feira (2). REUTERS/Mike Blake

Dois dias após o massacre de San Bernardino, no estado da Califórnia, os investigadores norte-americanos tentam descobrir as motivações dos dois agressores, Syed Farook e Tashfeen Malik. Embora o ataque não tenha sido classificado como um ato terrorista pelo FBI, a hipótese ainda não foi excluída.Um verdadeiro arsenal de guerra foi encontrado na residência do casal.

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Até o momento, há uma principal certeza: os investigadores acreditam que que Farook e Malik planejaram uma imensa chacina. Mas se o objetivo do casal era metralhar os participantes do jantar de Natal do Inland Regional Center, a polícia ainda tem dúvidas. Os investigadores se perguntam se Farook não mudou o alvo do ataque no último momento.

De acordo com a correspondente da RFI em Washington, Anne-Marie Capomaccio, o suposto agressor, que é funcionário do serviço de limpeza deste centro de atendimento a pessoas com defiência física, participava do evento de fim de ano da instituição na quarta-feira (2). Ele discutiu com um colega e deixou o jantar extremamente irritado. Quando voltou ao local, acompanhado de sua mulher, ambos usavam máscaras, roupas militares e, segundo a jornalista, carregavam armas pesadas.

Um verdadeiro arsenal foi encontrado na residência do casal

O que mais impressionou o FBI foi o imenso arsenal encontrado tanto no carro de Farook e Malik, quanto na residência deles. Por isso, os investigadores também trabalham com a possibilidade de que os supostos agressores preparavam um outro ataque, mais violento ainda. Doze bombas artesanais, mais de 5 mil cartuchos de bala para fusil e material explosivo foram encontrados na garagem do casal.

No total, o massacre de San Bernardino deixou 14 mortos, seis mulheres e oito homens, de 26 a 60 anos, além de 21 feridos. O casal foi abatido pela polícia antes de ser identificado. No Inland Regional Center, a polícia encontrou uma bomba que não funcionou quando foi acionada.

Perfil dos agressores

Os investigadores também estudam a vida de Farook, cidadão norte-americano de origem paquistanesa. No passado, ele viajou ao país de sua família et à Arábia Saudita, onde conheceu Malik, também de nacionalidade paquistanesa. Ela o acompanhou aos Estados Unidos, onde tinha um visto de residência.

As autoridades não têm quase nenhum detalhe da vida desta jovem de 27 anos. Nesta sexta-feira (4), a rede de televisão CNN indicou que Malik teria se colocado à disposição da organização radical Estado Islâmico, em um texto encontrado na internet.

Em contrapartida, a imprensa dos Estados Unidos revelou na quinta-feira (3) que o FBI encontrou documentos e e-mails que indicariam que o casal estava em contato com redes terroristas. Embora não tenha sido confirmado, Farook tinha contato com cinco pessoas investigadas pela polícia federal norte-americana. Um deles faria parte dos shebab da Somália e outro da Frente Al-Nusra, braço sírio da Al- Qaeda.

Debate sobre porte de armas

Mas, até o momento, os investigadores têm evitado falar em atentado terrorista. "É possível que o ataque esteja relacionado ao local de trabalho", indicou o presidente norte-americano, Barack Obama. No entanto, o massacre trouxe novamente à tona o debate sobre o porte de armas nos Estados Unidos, como acontece após cada incidente violento no país.

Obama, que nunca conseguiu reformar a lei sobre essa questão desde que chegou à Casa Branca, em 2009, pediu mais uma vez que o Congresso reflita sobre o fácil acesso às armas. O presidente norte-americano estava no meio de uma entrevista para a rede de TV CBS quando foi informado da violência em San Bernardino. Para ele, quem se preocupa com ataques terroristas nos Estados Unidos deveria se mobilizar pela aprovação urgente de leis mais rígidas sobre porte de armas, especialmente sobre um sistema mais elaborado de checagem dos antecedentes e do perfil de quem está disposto a se armar.

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