Discurso / Estado da União

Análise: Obama considera EUA imbatíveis

Barack Obama durante discurso no Congresso, em Washington.
Barack Obama durante discurso no Congresso, em Washington. REUTERS/Evan Vucci/Pool

Para surpresa de muitos analistas, no seu último pronunciamento sobre o Estado da União, Barack Obama estava mais preocupado em falar sobre o rumo que os Estados Unidos devem tomar no futuro do que em se vangloriar das conquistas de seu governo nos últimos sete anos. 

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Ligia Hougland, correspondente da RFI Brasil em Washington

A mensagem de Obama pareceu, por vezes, uma advertência direta às ideias propagadas pelos dois pré-candidatos republicanos que estão liderando as pesquisas, o magnata Donald Trump e o senador Ted Cruz. Sem citar nomes, o presidente americano disse que promover bombardeios maciços na Síria, conforme propôs Cruz, ou proibir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos, como sugeriu Trump, diminui a nação perante a comunidade global.

Ainda sobrou tempo para Obama assegurar que a economia americana "é a mais forte e durável do mundo" e que o país vive seu período mais longo de criação de empregos no setor privado. "Os discursos sobre a decadência econômica americana são fumaça política, assim como toda a retórica sobre nossos inimigos, tornando-os mais fortes e os Estados Unidos, mais fracos. Os Estados Unidos são a mais poderosa nação do mundo e ponto", enfatizou.

O presidente disse que a sua prioridade é proteger os cidadãos e destruir grupos terroristas. Ele recordou que na área militar, os Estados Unidos "investem mais em suas Forças Armadas que oito nações somadas [as demais potências]. Nossas tropas são a mais sofisticada máquina de combate da história do mundo. Nenhum país se atreve a nos atacar ou a nossos aliados porque sabe que este é o caminho para a ruína. [...] A ameaça são menos os impérios maléficos e mais os estados quebrados", disse, referindo-se à Rússia.

O chefe da Casa Branca insistiu no fato de que o Estado da União é sólido e pediu que os americanos permaneçam abertos a mudanças, abraçando oportunidades e repudiando o medo. Os Estados Unidos "já passaram por mudanças importantes no passado - guerras, recessões, chegada de imigrantes, lutas sindicais e pelos direitos civis - e sempre há aqueles que nos dizem que devemos ter medo do futuro [...], mas todas as vezes superamos esses medos. O futuro que queremos [...] está ao alcance, mas apenas chegará se trabalharmos juntos, se realizarmos debates racionais e construtivos. Isto ocorrerá apenas se corrigirmos os defeitos da nossa política", afirmou.

Fim do embargo

A América Latina, tradicionalmente ignorada pela Casa Branca, foi incluída no último pronunciamento de Obama sobre o Estado da União. O presidente americano disse que a política de isolar Cuba por 50 anos não teve sucesso em promover a democracia, mas resultou em um distanciamento dos EUA na região. "Vocês querem consolidar nossa liderança e credibilidade no hemisfério? Reconheçam que a Guerra Fria terminou. Acabem com o embargo", disse Obama

Obama admitiu que um de seus poucos pesares é que a política americana tenha ficado mais dividida e rancorosa durante seu governo. "Muito do que podemos fazer passa pela mudança do clima político e da atitude das pessoas", explicou Obama, recordando os lemas de sua campanha "mudança" e "esperança".

Presentes no Capitólio durante o discurso estavam dois senadores pré-candidatos à Casa Branca que representam o bipartidarismo em Washington, o democrata Bernie Sanders e o republicano Marco Rubio.

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