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Venezuela/racionamento

Racionamento de energia reduz jornada de trabalho na Venezuela

Imagem de arquivo mostra venezuelanos fazendo fila diante de um supermercado para adquirir produtos básicos, um dos vários problemas enfrentados pelo país nos últimos anos.
Imagem de arquivo mostra venezuelanos fazendo fila diante de um supermercado para adquirir produtos básicos, um dos vários problemas enfrentados pelo país nos últimos anos. AFP PHOTO/JUAN BARRETO
Texto por: RFI
2 min

Diante do racionamento de energia elétrica anunciado pelo governo da Venezuela, alguns comerciantes de Caracas informaram que pretendem reduzir as horas de abertura de seus estabelecimentos, o que deve prejudicar a jornada de trabalho no país. Os cortes no fornecimento de energia elétrica se devem a uma importante seca causada pelo fenômeno El Niño, que deixou as barragens do país em um nível muito baixo, considerado preocupante pelas autoridades.

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Vários shoppings venezuelanos anunciaram através das redes sociais que, a partir da quarta-feira (10), suas jornadas de trabalho seriam reduzidas. Para se adaptar ao racionamento de energia imposto pela Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec), alguns centros comerciais abrirão as portas apenas entre as 15h e as 19h.

No domingo (7), a companhia anunciou a interrupção do fornecimento de eletricidade devido os danos causados pelo fenômeno El Niño às barragens do país. Diante de uma grave seca, 18 hidrelétricas estariam operando no limite, obrigando o governo impor essa medida, alegou a Corpoelec. Os cortes estão previstos para serem realizados "de segunda-feira a sexta-feira entre 13h às 15h e entre 19h e 21h", indicou o documento. As interrupções no fornecimento de energia afetariam também as operações bancárias, o funcionamento de centros de saúde, farmácias, mercados e restaurantes.

75% dos venezuelanos terão jornada de trabalho prejudicada

A Câmara Venezuelana dos Centros Comerciais (Cavececo) informou que negocia com a Corpoelec para tentar flexibilizar a medida e permitir que os comércios funcionem do meio-dia às 19h. "Um horário corrido é a única opção que nos permite cumprir com o plano de economia e por sua vez minimizar o impacto na qualidade de vida dos venezuelanos e nas atividades econômicas que são realizadas nos centros comerciais", indicou a Cavececo.

Segundo a diretora-executiva do órgão, Claudia Itriago, se os estabelecimentos passarem a funcionar apenas quatro horas por dia os turnos de trabalho serão afetados. O período atingido pelos cortes faz parte dos horários praticados 75% dos empregados dos estabelecimentos comerciais, alertou Itriago.

Estado de emergência econômica

A seca e o racionamento de energia se adicionam aos vários problemas vividos pela Venezuela nos últimos anos, como a escassez de produtos básicos. No mês passado, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que o país está em um estado de emergência econômica.

O cenário não tende a melhorar. Segundo uma projeção feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em janeiro, o país deve enfrentar uma recessão de 8% e uma inflação 720% neste ano. Além disso, a Venezuela se vê encurralada pela queda de 80% do preço do petróleo, sua principal fonte de renda.

As previsões econômicas negativas devem piorar ainda mais a crise política no país e a impopularidade de Maduro. Em dezembro, a oposição obteve maioria no parlamento pela primeira vez em 17 anos, renovando as esperanças dos venezuelanos de que uma mudança no cenário político seja o início de uma saída à crise no país.

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