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Linha Direta

Trump vence em Nevada e dispara como favorito dos republicanos nas primárias

Áudio 04:28
Donald Trump, pré-candidato republicano às eleições presidenciais americanas
Donald Trump, pré-candidato republicano às eleições presidenciais americanas REUTERS/Tami Chappell
Por: RFI

O empresário e bilionário Donald Trump venceu seu terceiro estado seguido na madrugada desta quinta-feira (24) nos EUA e se firmou como favorito para a indicação do Partido Republicano à sucessão de Barack Obama.  Para os democratas, a radicalização de Trump é um elemento que favorece o partido, já que os eleitores moderados não votariam no republicano.

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Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

Trump teve mais de 20% dos votos em relação ao senador Marco Rubio e Ted Cruz, praticamente empatados. Os outros dois candidatos republicanos, o cirurgião Ben Carson e o governador John Kasich, tiveram um resultado irrisório.  O pré-candidato não só abriu uma vantagem significativa em relação a seus principais rivais na contagem dos delegados à convenção republicana como é o único a de fato empolgar a base do partido.

O problema é a distância cada vez maior entre ele e os caciques da oposição. Estes, com a desistência do ex-governador Jeb Bush, parecem estar finalmente se unindo em torno do jovem senador da Flórida Marco Rubio. A questão é se ele poderá impedir a aparente inevitável marcha de Trump rumo à indicação para enfrentar a ex-primeira-dama Hillary Clinton ou o senador Bernie Sanders em novembro.

Os próximos capítulos da novela republicana serão o debate de amanhã entre os cinco candidatos e as disputas da chamada Super Terça-Feira, no dia primeiro de março, quando 12 estados, entre eles os importantes Colorado, Georgia, Massachusetts, Texas, Virginia e Minnesota, estarão em jogo. Ou bem Rubio vence em uma quantidade significativa de estados, ou Trump consolidará sua candidatura de vez. As pesquisas mostram que Rubio é que vem conseguindo crescer mais entre os indecisos, mas, por outro lado, os eleitores de Cruz, têm, em sua esmagadora maioria, Trump como sua segunda opção de voto.

Trump venceu em Nova Hampshire com a maioria dos não-alinhados a partidos políticos, na Carolina do Sul com os evangélicos e em Nevada com uma coalizão que incluiu militantes do Tea Party, população rural, de baixa escolaridade, estudantes universitários e até latinos. Ele vem aumentando seu eleitorado em cada disputa. Ou seja, está ficando cada vez mais difícil não enxergar Donald Trump na convenção republicana de julho em Cleveland, Ohio.

Candidato cultua a islamofobia

Desde o início da campanha Trump bate duro no que ele chama de políticos de carreira. Ele qualifica seus adversários no partido de mentirosos e fracos, já brigou publicamente até com o Papa Francisco, cultua a islamofobia e, hoje de madrugada, no discurso de celebração da vitória em Nevada, fez questão de defender a construção de um muro em toda a fronteira entre os EUA e o México, que, nas palavras do bilionário “será pago pelos próprios mexicanos”. E, se consegue animar a militância com sua narrativa de vencedor, a radicalização de sua candidatura durante as primárias, para delírio de seus seguidores, tem tudo para feri-lo de morte em novembro.

Democratas apostam na radicalização de Trump para vencer a eleição

Se puderem escolher o adversário em novembro, tanto Hillary quanto Bernie apostariam tudo em Trump. Não foi mero acaso a data do anúncio, ontem, no mesmo dia do cáucus republicano, pelo presidente Obama, de sua proposta de finalmente concretizar uma de suas principais promessas de campanha em 2008: o fechamento da prisão de Guantánamo. Todos os candidatos republicanos, inclusive Trump, reagiram de imediato, afirmando que não apenas manterão Guantánamo em funcionamento como irão ampliá-la.

Trump foi além ao defender, de forma explícita, a tortura como método para se retirar informação de, nas palavras do candidato, ‘bad guys que iremos trancafiar lá’. A cúpula do Partido Democrata está apostando tudo na radicalização de Trump e acredita que Hillary Clinton terá um apelo maior ao eleitor moderado em novembro. No sábado, se uma vitória expressiva da ex-primeira-dama na Carolina do Sul for confirmada, com grande apoio do eleitorado afro-americano, esta narrativa vai ganhar fôlego.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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