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Brasil-América Latina

Brasil e Venezuela vivem tsunami político, diz ex-embaixador venezuelano

Áudio 02:55
Presidenta Dilma Rousseff durante encontro com Nicolás Maduro, Presidente da Venezuela. (Brasília - DF, 02/01/2015)
Presidenta Dilma Rousseff durante encontro com Nicolás Maduro, Presidente da Venezuela. (Brasília - DF, 02/01/2015) Roberto Stuckert/PR

Brasileiros e venezuelanos vivem atualmente uma grave crise econômica, política e social. Especialistas e políticos ouvidos pela RFI analisam as semelhanças e diferenças entre os dois países neste período de fortes turbulências.

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Elianah Jorge, correspondente da RFI Brasil na Venezuela.

A crise venezuelana aumentou consideravelmente após a morte do ex-presidente Hugo Chávez, em 2013. De lá para cá, a população vem sofrendo com uma inflação superior a 720%, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2016.

Para o analista de política internacional e ex-embaixador da Venezuela no Brasil (1997-2001) Milos Alcalay, em ambos os casos o panorama é complexo: “São duas situações muito parecidas e diferentes ao mesmo tempo. Parecidas porque parece que estamos em uma espécie de tsunami político, no qual todo o prestígio dos governos de Lula e de Chávez, que tinham prometido ações orientadas para resolver os problemas populares, [promover] justiça social, acabar com a pobreza e com a corrupção, tiveram um resultado muito negativo”.

Para o ex-chanceler, os dois países vivem atualmente situações bem distintas de alguns anos atrás, tanto no plano interno quanto externo. “Os dois países que tinham um potencial extraordinário em nível mundial. O Brasil, que era visto como modelo de desenvolvimento para investimentos estrangeiros, começou a cair num patamar no qual a corrupção, a falta de eficácia e de regras econômicas foram afundando cada vez mais o governo, criando uma situação muito perigosa por causa do desequilíbrio.”

O desprestígio na esfera internacional tem base em um problema comum a ambos, a corrupção, que gerou uma queda no ritmo do desenvolvimento, segundo o deputado Américo De Grazia, do partido Causa Radical. “O Brasil hoje está passando por uma crise também econômica, ética e política que tem a ver, mais que tudo, com o dano causado pela corrupção. No caso da Venezuela, a corrupção nos levou à ruína, não somente do ponto de vista do nosso sistema produtivo, como de nossa força econômica mais importante que é o petróleo”, afirma De Grazia. “Arruinaram a indústria petroleira, o que é inexplicável em um país onde vivemos a maior bonança petroleira, a maior da nossa história. E hoje vivemos em absoluta mendicância”, insiste.

Tentativa de golpe

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, manifestou apoio à brasileira, Dilma Rousseff. Os dois líderes têm em comum a falta de carisma de seus antecessores e a pressão para encurtar seus mandatos.

No caso brasileiro, uma eventual saída de Dilma Rousseff do poder provocaria um efeito dominó no continente, de acordo com o ex-embaixador Milos Alcalay. “A repercussão do [que acontecer no] Brasil vai ser fundamental para toda a América do Sul e não só para a Venezuela. A situação de crise no Brasil aumenta a crise dos países vizinhos e, em especial, da Venezuela”, afirma.

Em recente discurso, a presidente brasileira comparou o processo de impeachment em curso no Congresso a um golpe. As manifestações de rua pró-governo petista em todo o país também empregam o termo e se referem a um golpe de Estado, como o que ocorreu em 1964.

Na Venezuela, que durante uma década viveu sob uma ditadura militar comandada pelo general Marcos Pérez Jimenez, os atuais dirigentes também denunciam a manobra da oposição como uma tentativa de golpe para afastar Maduro do poder.

Ao fazer um paralelo das crises no Brasil e na Venezuela, a deputada Delsa Solózano, do partido Un Nuevo Tiempo, de oposição, recorre à história para expressar sua preocupação: “Parece que os processos democráticos e políticos de nossos povos caminham de mãos dadas, mas tomara que este processo democrático de ambos países se concluam de maneira democrática e sempre com processos eleitorais e constitucionais. O que não pode nunca mais acontecer é a volta dos ditadores militares à América Latina.”
 

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