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Linha Direta

Tiroteio em Orlando pode beneficiar Trump nas eleições

Áudio 04:21
Flores e velas são colocadas em homenagem às vítimas do atirador de Orlando
Flores e velas são colocadas em homenagem às vítimas do atirador de Orlando REUTERS/Mark Kauzlarich
Por: RFI
9 min

Em meio a um sentimento de choque nos EUA, depois do tiroteio na boate Pulse, em Orlando, que deixou 49 mortos e mais de 50 feridos, novas informações vem à tona sobre o autor do massacre, Omar Mateen. Ao mesmo tempo os americanos tentam entender o impacto da tragédia deste domingo (12) , nas eleições presidenciais, em novembro.

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Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

Omar Mateen tinha 29 anos e era um cidadão americano muçulmano, nascido em Nova Iorque, filho de imigrantes afegãos. Ele trabalhava para uma firma de serviços de segurança e já havia sido investigado pelo FBI. As informações que estão sendo divulgadas três dias depois do ataque mostram uma pessoa  violenta, que não escondia seu ódio pelos valores liberais da sociedade americana.

Ex-colegas de ensino médio contam que, em 2001, Omar festejou abertamente e fez piadas sobre os ataques terroristas de 11 de setembro, uma atitude que deixou todos horrorizados na ocasião. Naquela época, dizem, eles já desconfiavam que Omar pudesse se tornar um terrorista.

A ex-mulher dele também relatou às autoridades que ela foi vítima de violência por parte de Omar. Também está sendo divulgado que Omar frequentava a boate Pulse e trocava mensagens com usuários de aplicativos dedicados à comunidade gay. Além disso, a segunda mulher de Omar, com quem ele teve um filho, está aos poucos dando mais informações para a polícia e falou que o marido, em abril passado, tinha falado sobre atacar parques da Disney em Orlando.

Investigado duas vezes pelo FBI

Omar era um indivíduo potencialmente perigoso e já tinha sido investigado pelo FBI duas vezes, em 2013 e em 2014. O fato dele ter sido capaz de comprar uma pistola semiautomática e um rifle de assalto poucos dias antes do atentado na boate Pulse é assustador, e faz com que os americanos questionem se essa tragédia não poderia ter sido evitada. Os colegas de trabalho estavam preocupado com seus comentários homofóbicos e seu discurso radical.Também havia suspeitas de que ele pudesse ter vínculos com um homem-bomba na Síria que antes frequentava a mesma mesquita que Omar.

Mas, nas duas investigações, o FBI concluiu que ele não representava ameaça alguma. Quanto às armas, elas foram compradas legalmente. Omar tinha uma licença de guarda de segurança emitida pelo estado da Flórida, não tinha ficha na polícia e havia, inclusive, passado por uma avaliação psicológica, preenchendo todos os requisitos para comprar e ter o porte de armas. O direito é garantido pela constituição americana e uma acusação não comprovada não é motivo para que um cidadão perca esse direito.

Limites para o porte de armas

A sociedade americana já sofreu tantos tiroteios em massa que a questão do controle de venda de armas é essencial num caso como esse. É realmente chocante a facilidade com que uma pessoa nos Estados Unidos pode ter acesso a armas que podem causar tantas mortes em questão de instantes. Barack Obama e a candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, aproveitaram para destacar a necessidade de serem implementados controles mais severos ao acesso a armas, e uma grande parte da população concorda com eles. Mas a NRA (Associação Nacional do Rifle) tem o lobby mais poderoso de Washington e jamais está disposta a negociar com os que pedem um maior controle ao acesso a armas. A NRA, aliás, apoia o candidato republicano, Donald Trump.

Tiroteio pode influenciar eleições

Muitos analistas acreditam que o tiroteio em Orlando pode até mesmo garantir a eleição de Trump. Além disso, o fato de o atentado ter sido cometido por um muçulmano faz com que a mensagem de Trump, que promete dar um basta, pelo menos temporário, na entrada de muçulmanos no país, tenha mais apelo num momento desses. O candidato republicano foi bem mais incisivo que Hillary Clinton em seus comentários sobre o massacre e, assim como a NRA, lançou suspeitas de que a postura politicamente correta de Obama de certa forma facilitasse oportunidades para que indivíduos como Omar cometessem atos terroristas.

Os americanos também questionam se as comunidades muçulmanas estão fazendo o suficiente para impedir que seus membros se radicalizem e se o governo está exigindo um posicionamento mais vigilante da parte delas. Até novembro o clima pode ser diferente, ainda mais nessa disputa pela Casa Branca que não tem sido nada convencional. Mas o ataque terrorista de 11 de setembro, por exemplo, que causou uma onda nacionalista e jamais será esquecido pelos americanos, não impediu Barack Obama, um político com um background pouco convencional para os padrões americanos tradicionais, de ser eleito presidente duas vezes.

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