EUA matou 2.581 combatentes fora de Iraque, Síria e Afeganistão desde 2009

Veículo bombardeado no Iraque
Veículo bombardeado no Iraque MOADH AL-DULAIMI / AFP

Os ataques dos Estados Unidos contra terroristas fora de Iraque, Síria e Afeganistão mataram 2.581 combatentes e até 116 civis desde 2009, segundo um comunicado da Direção Nacional de Inteligência (DNI).

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É a primeira vez que o governo norte-americano divulga um boletim sobre os mortos em ataques aéreos e com "drones" do Pentágono e da CIA fora das zonas convencionais de combate - nesse caso, principalmente contra extremistas no Paquistão, Iêmen e Somália.

Segundo a DNI, o número estimado de mortes nos 473 ataques aéreos realizados pelo órgão entre 2009 e 2015 fora das zonas de guerra na Síria, Iraque e Afeganistão é de entre 64 a 116 civis e de 2.581 combatentes.

Os ataques foram realizados com drones, aviões e mísseis, principalmente no Paquistão, Iêmen e Somália.

Promessa de Barack Obama

O comunicado do DNI tem por objetivo cumprir a promessa do presidente Barack Obama "de divulgar toda a informação possível ao povo" americano sobre essas operações.

Os números divergem dos relatórios de algumas ONGs, que apontam entre "200 e 900 civis" mortos nesses bombardeios dos Estados Unidos a partir de 2009.

As autoridades de Inteligência justificam essa diferença, devido às fontes e meios técnicos utilizados para calcular as mortes.

A DNI admitiu a fraqueza de seus próprios dados, afirmando que seus relatórios têm "limitações quanto a poder diferenciar o número preciso de mortes de combatentes e não combatentes, dado os entornos não-permissivos, nos quais tais ataques costumam acontecer".

Além disso, há um trabalho "de desinformação deliberada" executado por certos grupos extremistas junto às mídias locais, acrescenta o relatório.

Relatório é muito resumido

A União das Liberdades Civis dos Americanos (ACLU, sigla em inglês) avaliou que o relatório é muito resumido e não elimina as dúvidas sobre a legalidade do uso da força militar por parte do governo americano.

"É difícil reconhecer mérito no boletim de mortos do governo, que apresenta números muito inferiores a todas as avaliações independentes", comentou Hina Shamsi, diretora do projeto de segurança nacional da ACLU.

"O governo segue mantendo secretas as identidades das pessoas que matou, as definições que aplica para decidir quem é um alvo legítimo e suas investigações sobre casos verossímeis de supostos massacres arbitrários".

Segundo Laura Pitter, da ONG Human Rights Watch, é impossível verificar o número de mortos enquanto o governo Obama não explicar quais são os alvos e por que motivo estão sendo mortos.

"Não é possível determinar se as pessoas mortas eram civis e, consequentemente, se os Estados Unidos estão cumprindo sua própria política e respeitando o direito internacional".

Precaução para reduzir a probabilidade de vítimas civis

Nesta sexta-feira, Obama firmou um decreto, no qual determina às diferentes agências envolvidas em ataques contra grupos extremistas que adotem o máximo de precaução "para reduzir a probabilidade de vítimas civis".

O texto determina, explicitamente, que as autoridades devem reconhecer a responsabilidade dos Estados Unidos nos casos de vítimas civis e dialogar com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) e com as demais organizações não governamentais que operam em zonas de conflito.

O decreto presidencial prevê ainda a publicação anual, até 1º de maio do ano correspondente, de um relatório com o número de mortos similar ao publicado nesta sexta-feira.

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