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Linha Direta

Caracas e Bogotá negociam reabertura da fronteira, mas temem fuga de venezuelanos

Áudio 04:30
Na última abertura temporária, milhares atravessaram a fronteira.
Na última abertura temporária, milhares atravessaram a fronteira. REUTERS/Manuel Hernandez
Por: RFI
10 min

A agenda da Venezuela anda agitada tanto interna como externamente. Uma reunião de chanceleres com a Colômbia nesta quinta-feira (4) vai avaliar a reabertura definitiva da fronteira entre os dois países. Em relação ao Mercosul, uma reunião realizada no Uruguai pode resolver o impasse sobre a presidência rotativa do bloco.

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Elianah Jorge, correspondente da RFI Brasil na Venezuela.

Ainda é cedo para ter certeza de que será reaberta em breve a fronteira entre Venezuela e Colômbia, fechada por decisão de Caracas em 19 de agosto do ano passado, após o suposto ataque a militares.

As chanceleres Delcy Rodríguez, da Venezuela, e María Angela Holguin, da Colômbia, além de avaliar a reabertura da fronteira, têm na agenda a luta contra o contrabando, infraestrutura e controles cambiários, temas delicados entre os dois países.

Outro ponto frágil - e que talvez não venha à tona nesta reunião - mas que terá repercussão mais à frente quando a passagem for reaberta será a fuga de venezuelanos para o país vizinho. Somente em Barranquilla, no norte da Colômbia, chegam diariamente cerca de 100 pessoas que abandonaram a Venezuela em busca de melhores oportunidades.

De acordo com analistas, é possível que este número aumente bastante após a reabertura da fronteira, o que geraria uma crise no país vizinho. Recentemente, em três ocasiões, venezuelanos puderam ir a cidades colombianas próximas da fronteira para fazer compras. No último fim de semana em que a ponte binacional foi aberta cerca de 150 mil venezuelanos buscaram no país vizinho alimentos, remédios e outros produtos escassos na Venezuela.

Referendo contra Maduro

Nesta quarta-feira a coligação opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) entregou ao Conselho Nacional Eleitoral a solicitação para o organismo avançar rumo ao referendo. O processo é lento e bastante burocrático. Um descuido da oposição basta para o Poder Eleitoral interromper o protocolo.

Na verdade, a MUD teria esta quinta-feira para entregar o pedido para a próxima etapa, mas preferiu adiantar a entrega do documento. De acordo especialistas, a fase completa da coleta de 1% deveria ter durado 41 dias, porém o CNE demorou 145 dias em divulgar o resultado. O próximo passo é a coleta de quatro milhões, ou seja, 20% das assinaturas dos eleitores inscritos no Poder Eleitoral.

De acordo com a MUD este processo deve ser realizado de 23 a 25 de agosto, em apenas três dias, de acordo com a regra eleitoral. Para a coleta dos 20%, a MUD exige que sejam habilitados 14.500 centros de votação e 38 mil máquinas biométricas, as chamadas “captahuellas”, onde os eleitores têm que colocar a impressão digital para formalizar o interesse de dar continuidade ao referendo revogatório.

Caso a oposição consiga quatro milhões de assinaturas, o CNE deveria validá-las em 15 dias. Depois, teria três dias para convocar o referendo, que seria realizado em um prazo máximo de 90 dias.

Governo resiste

O presidente Nicolás Maduro garantiu que é impossível fazer o referendo revogatório este ano. De acordo com o presidente, o pedido do processo deveria ter sido feito em janeiro. Diversos outros nomes do chavismo apoiam Maduro. Caso do prefeito Jorge Rodríguez, que criou uma comissão para estudar o procedimento da oposição que, segundo ele, apresenta diversas fraudes, entre elas a apresentação de falsos documentos de identificação. Dados de pessoas já falecidas teriam sido usados para assinar a petição.

O chavismo lançou uma campanha chamada “todos contra a fraude”. Já o deputado Diosdado Cabello afirma que este ano não haverá referendo. Caso o referendo revogatório seja realizado até 10 de janeiro do próximo ano, novas eleições presidenciais serão convocadas. Caso a decisão fique para depois, quem assumirá caso Maduro saia do poder é o vice-presidente.

Mercosul

A chanceler Delcy Rodríguez afirma que a Venezuela está exercendo a presidência do Mercosul desde o último 30 de julho, quando chegou ao fim o período do Uruguai. Rodríguez enfatizou que cada presidência deve ser transferida após seis meses e ser feita de acordo com a ordem alfabética.

Por isso, caso a Venezuela não assumisse seu direito “estaríamos em uma espécie de limbo onde ninguém sabe que norma respeitar”. Para ela, a “tríplice aliança formada por Brasil, Argentina e Paraguai pretende aplicar um Plano Condor contra a Revolução Bolivariana”.

Para alguns especialistas, esta crise no Mercosul poderia representar o fim do bloco, tendo em vista que esta é a mais grave crise do Mercado Comum desde sua criação. Está prevista para esta quinta-feira uma reunião no Uruguai para tentar acabar com esta situação e há a possibilidade de que seja proposto que a Argentina assuma a presidência.

Nesta reunião estarão presentes representantes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A Venezuela não participará do encontro. De acordo com alguns membros do Mercosul, entre eles o Brasil, o governo de Nicolás Maduro tem violado os Direitos Humanos previstos nas regras do grupo.

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