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Linha Direta

Clinton venceu primeiro debate com Trump, dizem analistas

Áudio 05:33
Clinton e Trump fizeram o primeiro debate dos três debates previstos na corrida à Casa Branca.
Clinton e Trump fizeram o primeiro debate dos três debates previstos na corrida à Casa Branca. REUTERS/Carlos Barria
11 min

Em um debate dominado pela ex-secretária de Estado Hillary Clinton, seu adversário republicano Donald Trump perdeu, na noite desta segunda-feira (26), de acordo com a maioria esmagadora de analistas políticos, uma “oportunidade de ouro” para aumentar seu poder de atração a eleitores independentes e indecisos que decidirão as eleições de novembro. O debate aconteceu na Universidade de Hofstra, no norte do estado de Nova York, e foi marcado por temas como racismo, economia, política externa, segurança nacional, energia nuclear e o preparo para se governar a maior potência do planeta.

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Eduardo Graça, correspondentes da RFI em Nova York,

O primeiro dos três debates presidenciais foi vencido sem dúvida alguma pela democrata Hillary Clinton. E a ex-primeira-dama precisava desta vitória para tentar estancar o crescimento de Trump nas últimas semanas.

O resultado do debate se deve a estratégias opostas dos dois candidatos: Hillary fez uma pausa em sua campanha para se preparar para o embate. Já Trump decidiu seguir viajando pelo país e confiar em sua capacidade de improviso. Não deu certo.

O republicano pareceu mal preparado para o debate e respondeu de forma desastrosa uma questão crucial: não conseguiu explicar o absurdo de ter liderado durante anos a campanha que denunciava, erroneamente, o fato de que Barack Obama não havia nascido nos EUA e, por isso, não tinha o direito de ser presidente.

Hillary conseguiu dominar a narrativa e afirmar que esta é uma representação clara do racismo do republicano, que não engolia, como boa parte das elites do país, o fato de os EUA terem pela primeira vez um presidente negro.

Imposto de Renda foi “pedra no sapato”

Donaldo Trump também teve de enfrentar outra questão complicada: o fato de ele não ter divulgado, como todos os outros candidatos de partidos majoritários à presidência dos EUA na história moderna do país, sua declaração de imposto de renda. Foi mais uma "pedra no sapato" de Trump que ele não soube tirar de letra, apesar de ser um questionamento esperado por todos.

Trump, uma vez mais, deixou Hillary comandar a narrativa, sugerindo que a recusa na divulgação de seus rendimentos vem do fato de ele não pagar imposto algum, beneficiado pela política tributária americana que abona os mais ricos.

O candidato republicano retrucou dizendo que ‘libera os dados desde que Hillary também revele o conteúdo de todos os e-mails por ela trocados quando secretária de Estado em um endereço privado’, no que poderia ter sido uma casca de banana para Hillary. Mas, esta, devidamente preparada, pediu desculpas à população pelo erro de julgamento cometido ao manter um e-mail privado quando à frente da política externa dos EUA e denunciou a chantagem feita ao vivo por Trump com o povo americano, que classificou de antidemocrática e nada republicana.

Outros pontos considerados frágeis em relação à candidata Hillary, como quando ela classificou, em evento público, os apoiadores de Trump como “um balaio de gente deplorável”, ou a percepção, de acordo com todas as pesquisas, de que a maioria dos americanos, inclusive boa parte dos apoiadores dela, a consideram desonesta e pouco confiável, ficaram de fora do debate.

Donald Trump esqueceu de tratar destes temas. Pior: ele interrompeu seguidamente a primeira mulher candidata à presidência dos EUA por um dos dois partidos majoritários com tiradas e rabugices. Além de parecer uma atitude machista para muitos espectadores e analistas, ele ainda teve uma tirada desastrosa.

Quando Hillary, de olho no voto dos eleitores de classe média e média-baixa, que sustentaram o crescimento de Trump nas pesquisas, afirmou que seu adversário, durante a explosão da bolha imobiliária em 2007, responsável pela derrocada de milhares de famílias americanas, afirmou que “aquilo era bom pois ele lucraria comprando imóveis em baixa para vender mais tarde em alta” ele a interrompeu dizendo “isso se chama fazer negócios”.

Pesquisam indicam vitória de Clinton

A estratégia de deixar Trump se enforcar em seu próprio histrionismo e inconsistência factual e falta de preparo se reflete na pesquisa da CNN anunciada imediatamente após o debate: 62% dos entrevistados disseram que Hillary venceu o confronto contra 27% para Trump.

Se Hillary pecou no debate foi ao parecer em certos momentos professoral e, robótica, mas a norma foi a da candidata atenta a todos os movimentos do adversário. Quando ele a acusou de não ir onde os eleitores estão para “ficar se preparando para o debate”, ela respondeu de bate-pronto: “Sim, Donald. Eu me preparei para o debate. E também me preparei para ser presidente. E acho isso muitíssimo correto”. Foi um bom resumo para uma noite desastrosa para Trump. As próximas sondagens devem confirmar saber se o primeiro debate presidencial e sua repercussão na mídia vão mudar o rumo das pesquisas.

Os dois próximos debates entre os dois candidatos à Casa Branca serão nos dias 9 de Outubro, no Missouri, e 19 de Outubro, em Nevada.

 

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