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Linha Direta

Nobel ao presidente da Colômbia renova esperanças de paz com as Farc

Áudio 04:18
O presidente colombiano Juan Manuel Santos, durante coletiva nesta sexta-feira (07) em Bogotá.
O presidente colombiano Juan Manuel Santos, durante coletiva nesta sexta-feira (07) em Bogotá. REUTERS/John Vizcaino
8 min

O prêmio Nobel da Paz atribuído nesta sexta-feira (7) ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, renova as esperanças para a continuação do processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), apesar da forte resistência por parte dos colombianos. No último domingo (2) um plebiscito evidenciou as divergências da população sobre a questão. O debate alcançou uma forte polarização desde que as negociações com os guerrilheiros começaram, há quatro anos.

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Andrea Domínguez, correspondente da RFI em Bogotá

Esse foi o segundo prêmio dessa dimensão à Colômbia, depois do Nobel de Literatura ter sido atribuído ao escritor Gabriel García Marquez, em 1982. A expectativa é que a recompensa tenha um efeito direto no processo de paz em uma semana delicada para Santos. O presidente colombiano estava sufocado pelos opositores, fortalecidos pelo resultado do plebiscito.

O processo de paz com os guerrilheiros prossegue, mas o fato de a comunidade internacional manifestar um apoio tão significativo, pode renovar as energias não só dos negociadores diretamente envolvidos no processo, como também dos cidadãos que nos últimos dias têm ido às ruas exigir uma salvação do acordo.

A reação do ex-presidente Álvaro Uribe, líder da campanha contra o compromisso de paz e grande opositor político de Santos foi, até o momento, discreta. Em uma mensagem no Twitter, ele parabenizou o presidente colombiano e disse que espera que ele consiga "mudar acordos [que sejam] prejudiciais para a democracia".

Para os "uribistas", a recompensa não será facilmente assimilada, já que a campanha antes do plebiscito foi convertida em uma batalha acirrada. Cada colombiano se sentiu obrigado a escolher entre Santos e Uribe.

Não premiar as Farc foi correto?

A maioria dos analistas colombianos considera que o fato de o comitê do Nobel não ter agraciado as Farc junto com Santos foi uma decisão correta. Segundo eles, isso poderia ser usado pela oposição para deslegitimar o prêmio e, em consequência, diminuir as possibilidades de que o acordo de paz tenha sucesso.

“Timoleón Jímenez”, chefe das Farc também tuitou, comentando a recompensa. Na mensagem, o guerrilheiro escreve que o único prêmio que aspiram é "a paz com justiça social e sem paramilitares, retaliações, nem mentiras". Essa última frase faz referência às denúncias divulgadas na quinta-feira (6) de que a campanha pelo "Não" teria usado falsa propaganda para convencer os eleitores.

Comissões pela paz continuam o trabalho

Antes de receber a notícia sobre o Nobel, Santos havia se reunido com os representantes dos grupos que se opuseram ao acordo. O presidente anunciou a criação de três comissões para dar continuidade às negociações de paz. Uma delas tenta dialogar com os partidários de Uribe, outra com o ex-presidente Andrés Pastrana e uma terceira comissão tem o objetivo de conversar com representantes das igrejas evangélicas.

A existência de três diferentes grupos que defenderam o "Não" no plebiscito é uma prova de quanto a Colômbia está fragmentada: mesmo entre os opositores ao acordo de paz com as Farc há divergências. Por isso, a tarefa das comissões será a de encontrar consenso sobre os diversos pontos rejeitados sobre o acordo. Quando uma postura única for estabelecida, será levada a Havana pelos negociadores para que as questões voltem a ser negociadas com os guerrilheiros.

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