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Linha Direta

Caciques republicanos temem derrota estrondosa de Trump

Áudio 04:25
Os candidatos Hillary Clinton e Donald Trump se enfrentaram na noite deste domingo (9).
Os candidatos Hillary Clinton e Donald Trump se enfrentaram na noite deste domingo (9). REUTERS/Rick Wilking
10 min

O debate presidencial deste domingo (9) à noite nos EUA foi marcado por tiradas sarcásticas e ataques duros de ambos os lados. O republicano Donald Trump chegou a dizer que, se for eleito presidente, a democrata Hillary Clinton irá parar na cadeia. Partido teme derrota vergonhosa do candidato.

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Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

O candidato está perdendo nas pesquisas depois da revelação de duas gravações, nas quais o bilionário de Nova York usa termos vulgares e procura justificar a violência contra mulheres. No debate, o republicano disse que os vídeos eram apenas “conversa de vestiário de homens” e que muito pior do que suas palavras tinham sido os ‘atos’ do ex-presidente americano.

No vale tudo das eleições, pouco antes do início do segundo debate, Trump convocou a imprensa para uma coletiva-surpresa, onde apareceu ao lado de quatro mulheres: três delas acusaram judicialmente Bill Clinton por assédio sexual e estiveram presentes no debate. Uma outra diz ter sido estuprada aos 12 anos por um homem cuja advogada de defesa foi Hillary.

As gravações foram uma catástrofe para o candidato da oposição. Além de dezenas de senadores e deputados, até governadores de estados identificados até a raiz do cabelo com o Partido Republicano, como os do Tennessee e do Utah, retiraram seu apoio a Trump no fim de semana. Os caciques do Partido Republicano já temem um desastre tamanho-família em novembro, com a perda do controle não apenas do Senado, mas também da Câmara dos Representantes, o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, se a sangria na candidatura Trump não for estancada.

Trump perde cada mais vez mais apoio

Durante o tenso encontro de ontem, Hillary chegou a dizer em determinado momento que Trump “tentava se esquivar o tempo todo para não ter de falar da implosão de sua candidatura e do abandono de figuras-símbolo do Partido Republicano”. Ela já aparece à frente de Trump em todos os estados competitivos, com exceção apenas de Iowa, onde há empate técnico.

Com este cenário, a coletiva de imprensa de Trump tentando jogar os holofotes em Bill Clinton surtiu algum efeito: o republicano e a democrata não trocaram apertos de mão no começo do debate e Hilary tentou parecer, algumas vezes sem sucesso, serena e ‘presidenciável’, enquanto Trump partia para cima com uma série de acusações relacionadas ao escândalo do uso de e-mails privados quando Hillary foi secretária de Estado do governo Obama, o voto dela a favor da invasão do Iraque e a resposta de Washington ao ataque ao consulado americano na Líbia que custou a morte de um dos diplomatas mais conceituados do país.

O desempenho de Trump parece ser mais para o controle das bases do Partido Republicano - pelo Twitter ele avisou que haverá retaliações aos caciques do partido que estão se pronunciando publicamente contra sua campanha neste fim de semana - do que para ganhar o voto dos independentes ou de eventuais democratas desgostosos com Hillary.

Ele pareceu estar preocupado em seguir sendo a voz dos ultraconservadores ao se posicionar novamente contra uma reforma do sistema de Imigração do país e favorável a deportações em massa de trabalhadores não-documentados e de nomear um juiz para a Suprema Corte que garanta a manutenção do porte de armas tal qual é hoje nos EUA, sem uma maior triagem de quem compra revólveres e afins. Mas saiu chamuscado ao confessar ter usado as vantagens do sistema tributário americano para não pagar imposto de renda nos últimos vinte anos e ao interromper tanto Hillary que levou um pito dos entrevistadores.

Trump também foi muito mal em política externa, um tema, de acordo com as pesquisas, que o eleitor americano não leva tanto em conta na hora do voto, mas para além dos equívocos sobre o terrorismo internacional e a geopolítica, ele afirmou que adotaria, em uma pergunta sobre a Síria, manobra oposta à defendida por seu companheiro de chapa em um debate recente. Mais, disse jamais ter conversado com seu vice sobre o tema, deixando espantados Hillary, moderadores e plateia. Para piorar, a estratégia em questão envolvia a parceria com Vladimir Putin para se terminar o conflito na Síria.

Hillary poupa ataques

Hillary foi mais comedida em seus ataques, parecendo querer deixar o adversário enfiar os pés pelas mãos por conta própria. Funcionou no começo quando ela exigiu que Trump se desculpasse ao povo americano pelos vídeos que ele seguia dizendo serem apenas “conversa de vestiário” e não algo sério. Mas do meio para frente o republicano pareceu se encontrar aos poucos no formato deste debate, em que os candidatos podiam andar pelo palco e encarar diretamente cidadãos indecisos cujas perguntas foram alternadas com as enviadas pela internet e às poucas mas boas questões elaboradas na hora pelos dois moderadores, e pelo menos terminou a noite de igual para igual com Hillary. Seu pior passo em falso foi ter dito, em tom de bravata, que irá nomear um procurador especial para colocar Hillary na cadeia caso seja eleito.

 

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