Campanha eleitoral americana é a mais louca da história, diz Libération

Capa do jornal Libération desta quarta-feira, 2 de novembro de 2016.
Capa do jornal Libération desta quarta-feira, 2 de novembro de 2016.

A campanha presidencial americana é um dos principais destaques dos jornais franceses desta quarta-feira (2). A manchete do Libération afirma que esta é a campanha “mais louca da história”. As violentas acusações mútuas, que marcaram o duelo entre entre os dois candidatos à Casa Branca, se intensificaram ainda mais nessa reta final da campanha.

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Todos os golpes baixos são permitidos nessa campanha e os novos escândalos colocam Hillary Clinton em uma posição delicada, escreve Libération, que dedica um dossiê especial à campanha americana. O diário de esquerda lembra que há apenas alguns dias, a candidata democrata parecia “surfar serenamente em direção a seu sonho de ser a primeira mulher a presidir os Estados Unidos". Mas isto foi antes das novas revelações do FBI que decidiu reabrir as investigações sobre o provedor privado utilizado por Hillary quando ela era secretária de Estado.

Pela enésima vez, a democrata volta à defensiva, após a descoberta de milhares de e-mails confidenciais descobertos no computador que pertence ao marido da mais fiel colaboradora de Hillary. As mensagens estão sendo analisadas pelo FBI. Provavelmente, “elas não serão nem significativas nem comprometedoras”, diz Libération, mas o estrago no favoritismo da democrata já foi feito, apontam as pesquisas. A última sondagem, publicada na terça-feira (1), mostra que Trump se recuperou e supera Hillary por um ponto.

Campanha de Trump relançada

As novas revelações do FBI foram um alívio para o candidato republicano, acuado desde outubro após a divulgação de um vídeo sobre seu comportamento obsceno com as mulheres. A seis dias da votação, o resultado é incerto, prevê o jornal de esquerda.

Para Les Echos, o suspense foi relançado na campanha americana. Esta é a última oportunidade para o milionário vencer a eleição e Trump acredita em uma vitória.

Os democratas denunciam os métodos do FBI, que deveria evitar ações que possam influenciar os eleitores nas vésperas das eleições. Apesar de abalada, Hilarry voltou à ofensiva contra o adversário, denunciando mais uma vez a personalidade de Trump que não tem, segundo ela, capacidade para ser presidente dos Estados Unidos, aponta o diário econômico.

Escândalo do “e-mailgate”

Le Figaro chama essa nova reviravolta da campanha americana de "e-mailgate". O candidato republicano continua sofrendo com as críticas sobre sua isenção de impostos e a relação com a Rússia de Vladimir Putin, mas a suspeita de desonestidade pesa atualmente principalmente na campanha de Hillary Clinton, considera o jornal conservador.

Uma coisa é certa: independentemente do vencedor, ele será o candidato eleito à Casa Branca mais impopular da história, nos Estados Unidos e também, talvez, no mundo. Melhorar a imagem americana será um dos maiores desafios do sucessor de Barack Obama, conclui o jornal Libération.

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