Estados Unidos

Hillary apela para celebridades e mantém pequena vantagem sobre Trump

A cantora Beyoncé levou seu apoio à candidata democrata, Hillary Clinton, durante show que abriu o último fim de semana da campanha presidencial americana em Cleveland, Ohio.
A cantora Beyoncé levou seu apoio à candidata democrata, Hillary Clinton, durante show que abriu o último fim de semana da campanha presidencial americana em Cleveland, Ohio. REUTERS/Brian Snyder TPX IMAGES OF THE DAY

Em uma maratona para convencer os eleitores a votar e mobilizar os indecisos, Hillary Clinton e Donald Trump fazem uma série de comícios no último fim de semana antes da eleição presidencial de terça-feira (8). A pesquisa nacional mais recente, do instituto Ipsos para a Reuters, dá 5 pontos de vantagem para a democrata.

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O candidato republicano visita neste sábado (5) três estados considerados decisivos: Flórida, Carolina do Norte e Nevada. Já a campanha de Hillary guardou para a reta final o apoio de estrelas da música americana.

Em um show com tons políticos em Cleveland, no disputado estado de Ohio, Hillary recebeu nesta sexta-feira (4) o apoio do rapper Jay Z e de sua mulher, a "rainha" do pop Beyoncé. Neste sábado (5), é Katy Perry que subirá no palco para pedir votos à democrata, em um comício previsto no final da tarde em Pittsburgh, na Pensilvânia. Antes, em local e horário ainda indeterminados, Hillary também dará um pulo na Flórida. 

A queda do desemprego a 4,9%, anunciada ontem, gerou comentários divergentes dos dois rivais. Para Hillary, é uma boa notícia que endossa a estratégia econômica dos democratas. "Um desastre absoluto, número falso", alfinetou Trump.

Os dois candidatos têm batido na mesma tecla nas últimas semanas. Ontem, na Pensilvânia, Hillary pediu a seus seguidores para imaginarem uma possível presidência de Trump, tachando o magnata de um intolerante de "pele sensível", que ataca as mulheres e as minorias, e fulmina seus críticos. "Se meu adversário vencer, teremos um presidente que só estará lá por si mesmo", disse Clinton em Michigan, coração da indústria automobilística, deplorando a visão "obscura, divisória e repleta de ódio" de Trump sobre os Estados Unidos.

Já Trump afirmou na Pensilvânia que "se chegar ao Salão Oval, Hillary e seus grupos de interesse nos roubarão o país". "Como Hillary pode gerenciar este país quando nem mesmo pode gerenciar seus e-mails?", questionou o magnata mais cedo em New Hampshire, um estado disputado. Ele chamou a adversária de "um anjo protegido pela classe política e pela Justiça". "Quando ganharmos em 8 de novembro, vamos chegar a Washington e vamos drenar o pântano", prometeu Trump.

John Podesta, diretor da campanha de Hillary, respondeu: Trump "deveria começar drenando seu próprio pântano", em referência à condenação de Chris Christie, um dos aliados mais próximos do candidato republicano.

Na Carolina do Norte, Barack Obama tentou incentivar os eleitores: "preciso que votem, não escolham o medo".

A média das pesquisas nacionais mostra Hillary com 45,3% das intenções de voto, contra 42,7% para Trump, enquanto outros dois candidatos de partidos menores reúnem 8,2%, segundo o site Real Clear Politics. O suspense reina até a reta final, em uma campanha marcada por acusações e pela ausência de um debate político de qualidade.

Enquanto o impetuoso Trump tempera seu discurso e se mostra mais disciplinado, a experiente, mas às vezes rígida Hillary, se cerca de celebridades, em um clamor urgente à mobilização do voto jovem e negro, a parte primordial de sua base de apoio.

"Cabeça a cabeça"

Hillary e Trump lutam cabeça a cabeça em Ohio e Pensilvânia, que juntamente com Michigan constituem o antigo centro industrial dos Estados Unidos e são a chave nestas eleições marcadas pelo profundo desencanto das classes trabalhadoras com o sistema político.

Com sua nada simples promessa de repatriar as fábricas que foram para a China e o México, Trump espera arrancar algumas vitórias nesses estados muito populosos para pavimentar seu caminho para a Casa Branca.
Clinton, que vem tentando romper esquemas, mira no Arizona, tradicionalmente republicano. Seu candidato a vice, Tim Kaine, discursou em espanhol na quinta-feira nesse estado fronteiriço, onde 22% dos eleitores são latinos.

Mas vença quem vencer, uma consulta nacional da rede CBS e do jornal The New York Times revela que a maioria dos americanos está enojada com o baixo nível da política e muitos têm sérias dúvidas que algum dos dois candidatos possa unificar o país após uma campanha historicamente tóxica.

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