Sucessão na Casa Branca

Resultado imprevisível nos Estados Unidos eletriza imprensa francesa

Capa do jornal francês Les Echos desta segunda-feira, 7 de novembro de 2016, com destaque para o duelo entre a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump.
Capa do jornal francês Les Echos desta segunda-feira, 7 de novembro de 2016, com destaque para o duelo entre a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump. les echos.fr

Os americanos vão às urnas amanhã em uma eleição de resultado imprevisível. O duelo entre a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump é o principal destaque da imprensa francesa nesta segunda-feira (7).

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O jornal especializado em economia Les Echos explica que fazer prognósticos sobre a eleição deste ano nos Estados Unidos ficou mais difícil depois de 15 estados governados por republicanos terem endurecido os critérios de inscrição dos eleitores. "Nesses estados, de três anos para cá, eleitos locais modificaram o processo eleitoral sem consultar as autoridades federais", explica Les Echos. O objetivo das mudanças foi impedir a participação de jovens e minorias, que votam tradicionalmente em candidatos democratas.

A manobra deu resultado, a ponto de o estado de Alabama, por exemplo, ter fechado 70% das seções eleitorais em Phoenix, a única cidade democrata na região. Segundo Les Echos, milhares de jovens, hispânicos e afro-americanos estão privados de voto este ano.

Outro aspecto analisado pelo diário é que anunciado o vencedor, na quarta-feira, será preciso "consertar" os estragos feitos por uma campanha sectária e violenta, "digna de gladiadores do fim do Império Romano", observa um comentarista político.

Sistema eleitoral do século 18 é complexo e cheio de armadilhas

Le Figaro mostra os estados que farão a diferença amanhã, os "swing states", como dizem os americanos. Ao todo são 11 dos 50 que compõem a federação. O sistema eleitoral americano, criado no século 18, é complexo e de difícil compreensão para o resto do mundo, observa Le Figaro.

O jornal conservador lembra que existem candidatos independentes e nos estados onde a disputa está acirrada, os eleitores indecisos terão papel decisivo. Os analistas estão de olho em Ohio, Pensilvânia, Nevada, Carolina do Norte e na Flórida, que com seus 29 grandes eleitores, ou seja, tanto quanto Nova York, e logo atrás da Califórnia e do Texas, criam o suspense até o minuto final.

Le Figaro lembra outros aspectos incertos desta votação: os republicanos acreditam que vão manter a maioria na Câmara dos Representantes, enquanto a situação no Senado segue em aberto.

Além de votar para a presidência e o Congresso, os americanos também vão opinar amanhã sobre dezenas de medidas estaduais e municipais. Nada menos do que 154 consultas sobre temas de sociedade, como a pena de morte, a legalização da maconha e até a regulamentação de filmes pornográficos são submetidos à avaliação dos eleitores. E, claro, eleger novos xerifes para os condados.

Os jornalistas têm muito trabalho pela frente para tirar as consequências deste 8 de novembro.

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