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Trump não entende e não gosta da América Latina, diz brasilianista

Áudio 07:53
RFI Convida o brasilianista Riordan Roett, professor da Universidade Johns Hopkins.
RFI Convida o brasilianista Riordan Roett, professor da Universidade Johns Hopkins. Captura de vídeo

Mais de 200 milhões de americanos devem ir às urnas nesta terça-feira (8) para eleger o novo presidente do país. Entre 30 e 40 milhões já anteciparam seu voto como permite a legislação eleitoral. As últimas sondagens dão vitória para a democrata Hillary Clinton sobre o republicano Donald Trump, mas o resultado da votação ainda é considerado uma incógnita.

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Na reta final, o republicano Trump vai percorrer quatro estados para tentar convencer os americanos indecisos enquanto a democrata Hillary multiplou seus deslocamentos para cinco estados. Ela deve finalizar sua campanha reunindo o clã Clinton e a família Obama no grande comício de encerramento na Philadelphia.

Em uma eleição considerada atípica e com resultado imprevisível, apesar do favoritismo da democrata, os votos das comunidades latina e afro-americana poderão fazer muita diferença, segundo o cientista político Riordan Roett, da Universidade John Hopkins, de Washington.

“Os latinos americanos podem representar uma mudança muito importante nessas eleições. Eles deram um apoio muito importante para Barack Obama e o Partido Democrata espera o mesmo nível de apoio em favor de Hillary Clinton nas urnas”, afirma.

A mobilização deve ser maior da comunidade latina, de acordo com o especialista devido às polêmicas declarações de Trump durante a campanha. O magnata prometeu erguer um muro na divisa entre Estados Unidos e México e expulsar imigrantes clandestinos. “Trump, que é um fascista, criticou os latino-americanos do México e de outras partes da América Latina. Ele não entende e não gosta da América Latina”, afirma o especialista.

Difícil tarefa de reconciliação

Riordan Roett também considera muito difícil e complicada a tarefa de reconciliar os Estados Unidos depois das eleições, diante da polarização em que o país se encontra. “Depois das eleições, o novo presidente vai ter que unir o país. Vai ser uma tarefa difícil e complicada, mas muito importante para o futuro dos Estados Unidos”, avalia.

Para o especialista, que anunciou seu voto antecipado para Hillary Clinton, a candidatura de Donald Trump é resultado de uma crise em que se encontram o país e o Partido Republicano. “Há muito tempo o país está dividido e há pelo menos 15 anos o Partido Republicano está jogando muito, muito sujo. O resultado foi Trump”, argumenta.

Brasilianista e autor do livro The New Brazil (“O Novo Brasil”), Roett vê diferenças na relação dos Estados Unidos com o gigante latino-americano em caso de vitória dos democratas ou republicanos. “Com Hillary, a política seguirá a mesma do Barack Obama, ou seja, muito aberta, com diferenças, mas que podem ser negociadas e conversadas. Com Donald Trump, ninguém sabe de nada. Sobre sua política externa, só se sabe sobre o México e os imigrantes”, conclui.

 

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