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Trump venceu com eleitores que esconderam voto, diz analista

Áudio 11:38
RFI Convida Gamaliel Perruci
RFI Convida Gamaliel Perruci arquivo pessoal

Fim do suspense na eleição americana. Contra todas as últimas previsões, o republicano Donald Trump venceu a corrida à Casa Branca e vai ser o 45° presidente dos Estados Unidos e suceder o democrata Barack Obama. A votação dessa terça-feira também confirmou a vitória do Partido Republicano no Congresso, com maioria na Câmara e também na Câmara dos Deputados.

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Segundo o cientista político Gamaliel Perruci, do centro de treinamento de líderes do Marrieta College, em Ohio, houve um “choque” no país com a eleição de Trump, já que as pesquisas apontavam a vitória da democrata. O especialista identificou pelo menos três motivos para explicar o trunfo nas urnas do magnata sem experiência política.

“À primeira vista, um dos fatores é de que muitos americanos não falaram abertamente para as pesquisas que iriam votar para Trump. Ele queriam evitar passar a imagem negativa associada a quem iria votar nele”, afirma. “As pessoas mantiveram o voto em segredo, diziam que estava indecisas, mas votaram no Trump, o que explicaria o número elevado de votos”, justificou.

Outro fator apontado pelo analista é a expectativa frustrada dos democratas da mobilização em massa de eleitores de minorias para a candidata Hillary, principalmente em estados como Flórida e Carolina do Norte, conquistadas finalmente por Trump . “A expectativa dos democratas é de que haveria um número muito maior de eleitores latino-americanos e negros nas urnas. Isso não aconteceu”, garante.

Um terceiro fator apontado por Gamaliel Perruci é de que a previsões de vitória de Hillary foram feitas pela mídia que apostava na candidata democrata. “Havia um favorecimento para Hillary e uma postura de não gostar de um vitória de Trump. Isso influenciou a forma como foi vista a eleição”, opinou.

A conquista dos republicanos pelas duas casas do Congresso também não deve facilitar a vida de Donald Trump como presidente, na análise do cientista política. “Trump baseou seu movimento contra as elites do partido que fazem parte do Congresso. Os próprios republicanos no Congresso repudiaram muitas posições do candidato durante a campanha e muitos deles nem foram para a Convenção”, lembrou. “A dificuldade do Trump será de montar com eles uma plataforma conjunta que seja coerente e não extrema”, afirma.
 

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