“Ameaças contra comunidade judaica são horríveis”, afirma Donald Trump

Mais de 170 lápides foram profanadas no cemitério judeu de Chesed Shel Emeth Cemetery, em Missouri, nos Estados Unidos, em 21 de fevereiro de 2017.
Mais de 170 lápides foram profanadas no cemitério judeu de Chesed Shel Emeth Cemetery, em Missouri, nos Estados Unidos, em 21 de fevereiro de 2017. REUTERS/Tom Gannam

Após ter evitado tocar na questão durante vários dias, o presidente americano Donald Trump condenou nesta terça-feira (21) as ameaças "horríveis" contra a comunidade judaica após uma série de incidentes que atingiram centros comunitários nas últimas semanas nos Estados Unidos.

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Durante sua primeira visita ao Museu de História Afro-americana em Washington, inaugurado há menos de seis meses por seu antecessor, Barack Obama, Donald Trump evocou o combate ao "fanatismo, à intolerância e ao ódio em todos as suas formas."

Enfatizando uma mensagem de integração - "Vamos reunir este país" – o presidente americano também respondeu à multiplicação das ameaças de bombas falsas em centros comunitários judaicos, que são objeto de uma investigação do FBI. "Ameaças antissemitas contra nossa comunidade judaica são horríveis e dolorosas e são uma triste lembrança do trabalho ainda a fazer para erradicar o ódio e preconceito", declarou.

Uma centena de túmulos de um cemitério judeu em St. Louis, no estado americano do Missouri, foram profanadas neste fim-de-semana, de acordo com o responsável do local. Ivanka Trump, filha do presidente americano, denunciou as ameaças contra a comunidade judaica em seu twitter, afirmando que "os Estados Unidos são uma nação fundada sobre o princípio da tolerância religiosa". Trump havia permanecido em silêncio sobre o assunto até agora.

Opositores criticam o bilionário por sua retórica durante a campanha eleitoral sobre a imigração e sua virulenta investida contra o discurso "politicamente correto", que teria aberto a porta para declarações polêmicas de segmentos extremistas dos Estados Unidos.

Questionado durante a coletiva de imprensa com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre o recrudescimento de atos antissemitas nos Estados Unidos desde sua eleição, o presidente americano ofereceu uma resposta desconcertante, prometendo "muito amor " aos Estados Unidos nos próximos anos. "O povo judeu ... Tenho tantos amigos, e uma filha que está aqui, um filho e três belos netos judeus", ele afirmou na ocasião.

Jared Kushner, um assessor próximo do presidente norte-americano, é judeu e Ivanka Trump se converteu ao judaísmo, antes de se casar em 2009. Mais uma vez questionado sobre o mesmo tema na sexta-feira (17), ele respondeu: "eu sou a pessoa menos antissemita e menos racista que existe".

De acordo com a associação comunitária americana Jewish Center, 11 centros judaicos dos Estados Unidos receberam alertas de bombas falsas, que exigiram evacuação imediata nesta segunda-feira (20). Um total de 69 incidentes do mesmo tipo foram notificados desde o início de janeiro em 27 estados do país, além de uma província canadense, segundo declarou a mesma fonte.
 

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