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O Mundo Agora

Incoerência de governo Trump é perigo para o mundo inteiro

Áudio 04:43
Em pouco mais de um mês de governo, Donald Trump criou um clima de incerteza no mundo.
Em pouco mais de um mês de governo, Donald Trump criou um clima de incerteza no mundo. REUTERS/Joshua Roberts TPX IMAGES OF THE DAY
Por: Alfredo Valladão

O mundo vem se tornando um lugar muito mais perigoso. O ignorante e irascível presidente americano conseguiu criar, em poucas semanas, um clima de pesada incerteza nas relações internacionais. Até o presidente russo, Vladimir Putin, que ajudou a eleição do magnata com ataques cibernéticos, já mostra sinais de preocupação. O homem do topete dourado é imprevisível e, pelo visto, acha isso ótimo.

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A nova Casa Branca saiu atirando para todos os lados. O primeiro alvo foi o México, com as ameaças de pesadas barreiras tarifárias e um muro contra a imigração clandestina. O segundo foi a China – tratada como o inimigo econômico número um – ameaçada com uma guerra comercial, e até com um bloqueio naval no mar da China meridional.

No Oriente Médio, Trump fez questão de apoiar os setores mais extremistas do governo israelense, e anunciou a transferência da embaixada americana para Jerusalém. Enquanto o seu principal conselheiro, Steve Bannon, acha que o maior inimigo não são os islamistas radicais, mas o próprio Islã. Quem nem Pôncio Pilatos, o magnata-presidente também vem demonstrando total indiferença com relação situação na Síria ou com a ideia de um Estado palestino.

Quanto à Europa, o presidente já disse que a OTAN era uma instituição “obsoleta” e que a implosão da União Europeia seria uma coisa positiva. E porque não negociar o futuro do Velho Continente com a Rússia?

Nada disso tem a ver com a tradição diplomática dos Estados Unidos. E ainda menos com a visão de política externa do establishment republicano – sem falar dos democratas. O problema é que essa incoerência toda gera desconfiança. E no campo da geopolítica, desconfiança vira rapidamente corrida armamentista.

Comércio de armas evolui de maneira preocupante

O Instituto de Pesquisas de Paz de Estocolmo (SIPRI) acaba de publicar o seu relatório anual sobre o comércio de armas. As conclusões são aterradoras: os orçamentos e compras de armamentos estão bombando. Os principais exportadores – Estados Unidos, Rússia, China, França e Alemanha – estão inundando o planeta de armas cada vez mais sofisticadas. E basta olhar para os clientes para ter um mapa da principais zonas de tensão no mundo: Índia, Japão, Coréia, Filipinas, Vietnam Indonésia, Arábia Saudita, Emirado Árabes, Irã, Argélia, Marrocos e até países africanos.

Os orçamentos militares da China e da Rússia estão literalmente explodindo. E os Estados Unidos gastam mais com suas forças armadas do que o resto do mundo junto. A promessa de Trump de turbinar seriamente as despesas militares americanas só pode acelerar ainda mais essa corrida armamentista global.

A história sempre demonstrou que quando existe muita arma disponível, elas acabam sendo usadas. A grande maioria dos conflitos nas últimas décadas foram guerras civis ou guerras irregulares ou “híbridas”. Só que hoje, a velha guerra convencional entre Estados soberanos parece estar de volta. Os delírios do "lourão" que ganhou a Casa Branca podem perfeitamente precipitar enfrentamentos gravíssimos.

Mas a boa notícia é que, por enquanto, Trump não é um ditador que faz o que quer. Os líderes políticos em Washington, os principais empresários do país, o Poder Judiciário e até os grandes serviços de inteligência americanos não estão a fim de encampar as loucuras do time Trump. Com apenas um mês de governo, o novo presidente teve que engolir uma equipe de política externa feita de profissionais racionais que não estão a fim de tolerar tamanhas insanidades.

O secretário da Defesa, o general James Mattis, o secretário de Estado Rex Tillerson, e agora o novo conselheiro de segurança nacional o tenente-coronel McMaster são todos “cabeça fria” e muito respeitados por todo o estamento político-militar americano. E todos já tomaram posição pública e clara contra as maluquices da Casa Branca. Sem eles, Trump pode continuar esbravejando, mas não vai poder realizar suas loucuras. O problema é quanto tempo pode durar essa divisão no topo do poder.

* As crônicas do cientista político Alfredo Valladão podem ser lidas todas as segundas-feiras no site da RFI Brasil

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