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Donald Trump

"Jovens palestinos e israelenses merecem viver em paz", diz Trump em Israel

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso na sua chegada a Tel Aviv ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso na sua chegada a Tel Aviv ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. REUTERS/Jonathan Ernst
6 min

O presidente americano, Donald Trump, chegou nesta segunda-feira (22) a Israel, segundo destino de sua primeira viagem internacional, que começou no sábado (20) na Arábia Saudita. O principal objetivo da visita é colocar em prática uma de suas promessas de campanha, reativar as arrastadas negociações de paz entre israelenses e palestinos.

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Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Donald Trump desembarcou hoje em Israel pouco depois do meio-dia (6h da manhã, horário de Brasília) para uma visita de 30 horas. Diferentemente do que era programado, ele fez um pequeno discurso já no aeroporto, depois do presidente israelense, Reuven Rivlin, e do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

O presidente americano disse que é “maravilhoso” estar em Israel e que está agradecido e honrado pelo convite. Trump enfatizou esperar que as crianças da região possam crescer sem terrorismo e violência e que está otimista com essa possibilidade.

Após a cerimônia, ele viajou de helicóptero para Jerusalém, onde foi recebido pelo presidente Rivlin em sua residência oficial e fez mais um breve pronunciamento. Com uma segurança de 10 mil policiais e soldados, e circulado por ruas fechadas para o público, Trump se deslocou de carro até a Cidade Velha de Jerusalém, onde visitou a Igreja do Santo Sepulcro, sagrada para cristãos, e o Muro das Lamentações, sagrado para judeus.

Ainda nesta segunda-feira, o presidente americano será recebido para uma reunião privada com Netanyahu e depois irá a um jantar oficial. Amanhã, o primeiro compromisso de Trump será em Belém, na Cisjordânia, onde vai se encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Em seguida, volta a Jerusalém para ir ao Museu do Holocausto e para fazer mais um discurso, antes de partir.

Renovação das negociações de paz

Ao que tudo indica, não haverá um anúncio bombástico, apesar de Trump ter dito, em sua campanha eleitoral, que, se eleito, implementaria o acordo de paz definitivo entre os dois lados. Na casa do presidente Rivlin, Trump disse estar ansioso para discutir o processo de paz com o presidente palestino, amanhã. Segundo ele, “os jovens palestinos e israelenses merecem viver em paz, livres da violência que destruiu tantas vidas”.

Outro assunto que foi enfatizado nessas primeiras horas em Israel foi o Irã. Trump disse que os Estados Unidos e Israel têm que declarar, em uníssono, que não se pode permitir que o Irã tenha armas nucleares e que o país precisa acabar se “financiamento fatal” a grupos terroristas.

Relação entre Trump e Netanyahu

Netanyahu não esconde que se sente mais confortável com o governo Trump, depois de anos de um relacionamento tenso com o ex-presidente Barack Obama. Mas nem tudo são flores. O premiê israelense comemorou a eleição de Donald Trump por causa de seu discurso abertamente pró-Israel e suas promessas de campanha. Mas, até agora, essas promessas não saíram do papel, o que está irritando alguns aliados de Netanyahu, principalmente os partidos de extrema-direita.

A principal promessa foi a de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém – o que desafia a posição das Nações Unidas de que a cidade deveria ser internacionalizada. Depois da criação de Israel, em 1948, a cidade acabou sendo dividida entre israelenses e jordanianos, situação que a ONU nunca reconheceu. Há 50 anos, depois de vencer a Guerra dos Seis Dias, Israel anexou os dois lados da cidade.

Vários presidentes americanos prometeram transferir a embaixada, reconhecendo Jerusalém como capital de Israel. Mas nenhum deles o fez por temor da reação do mundo árabe a essa medida.

Escolha do itinerário

A viagem internacional de Trump também incluiu a Arábia Saudita e a Itália. O presidente americano escolheu esse itinerário por dois motivos: primeiro, para demonstrar fortes vínculos do governo Trump com seus aliados no Oriente Médio e mandar uma mensagem para o Irã de que os Estados Unidos contam com o apoio do berço do islamismo.

Foi por isso que Trump não só escolheu a Arábia Saudita como primeira parada como se reuniu, no domingo, com líderes de dezenas de países de maioria muçulmana. No local, ele fez um discurso no qual tentou reverter a impressão de que tem algo contra o Islã.

O presidente americano também disse que não quer “impor” o modo de vida ocidental e sim buscar apoio contra o terrorismo, numa mensagem oposta a da campanha eleitoral, na qual disse que o Islã “odeia” os Estados Unidos e que barraria a entrada de todos os muçulmanos no país. Depois de eleito, Trump cumpriu parcialmente a promessa ao banir cidadãos de sete países muçulmanos, medida depois derrubada pela Justiça americana.

A segunda mensagem do itinerário é a de que Trump não favorece nenhuma das três grandes religiões monoteístas: primeiro, afagou os muçulmanos na Arábia Saudita, depois os judeus em Israel e, na quarta-feira, irá ao Vaticano se encontrar com o Papa Francisco.

Antes de voltar para casa, onde enfrenta uma série de escândalos, Trump também participará das reuniões da OTAN, em Bruxelas, e do G7, na Sicília. Na Itália, ele terá que convencer os líderes de que os americanos continuarão engajados em assuntos internacionais, apesar de sua promessa de que, se fosse eleito, colocaria a América em primeiro lugar.

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