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Equador/eleições

Moreno toma posse no Equador e promete manter reformas sociais

O presidente Lenin Moreno toma posse no Equador
O presidente Lenin Moreno toma posse no Equador (Foto: Reuters)
Texto por: RFI
4 min

Lenín Moreno, o novo presidente do Equador, tomou posse nesta quarta-feira (24). Herdeiro político de Rafael Correa, ele prometeu fortalecer o modelo de esquerda conhecido como "socialismo do século XXI".

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Moreno, de 64 anos, que é cadeirante, foi empossado no Congresso unicameral, na presença de uma dúzia de presidentes latino-americanos, entre eles a Argentina, a Bolívia, a Colômbia, o Chile, a Guatemala e  o Peru. Formado em Administração Pública, Moreno deverá seguir as reformas lançadas pelo governo anterior.

Apoiado pela alta temporária do petróleo, Correa privilegiou o investimento e a equidade social, mantendo os subsídios ao combustível e à eletricidade durante a década de sua "revolução cidadã", que agora enfrenta dificuldades econômicas.

O gabinete é composto de empresários, líderes sociais e funcionários de Correa, como María Fernanda Espinosa e Miguel Carvajal, que serão chanceler e ministro da Defesa, respectivamente. O novo presidente anunciou a extinção de seis ministérios coordenadores, como o de Política Econômica. Moreno entregou a pasta das Finanças a Carlos De la Torre, ex-assessor do Banco Central; e a de Hidrocarbonetos, a Carlos Pérez, ex-executivo da empresa petrolífera americana Halliburton.

Ele herda um país que enfrenta dificuldades: a dívida externa subiu 150% (para US$ 25,6 bilhões, 26,3% do PIB) na última década, segundo dados oficiais. A economia encolheu 1,5% em 2016, e o preço do petróleo, o principal produto de exportação, caiu de US$ 98 por barril, em 2012, para US$ 35, em 2016. No primeiro trimestre deste ano, o preço aumentou para US$ 45 o barril.

Moreno já havia anunciado em seu programa de governo que a austeridade estará no centro de sua gestão. "Todo o gasto, todo o investimento passará por um filtro objetivo de necessidades dos cidadãos", declarou Moreno em seu primeiro discurso como presidente nesta quarta.

"Foram dez anos como testemunha da construção de caminhos, pontes, portos e aeroportos (...) dez anos de recuperação da autoestima e do sentimento de pertencimento dos equatorianos. Este processo tem um nome: revolução cidadã", disse. "Vamos sustentar a dolarização" da economia, implantada em março de 2000, em meio a uma crise bancária no país, acrescentou.

Modelo em crise

Baseado em um Estado investidor e disciplinador da sociedade, o modelo Correa está "em crise" e "requer uma bonança econômica para se sustentar", aponta o analista Pablo Ospina, da Universidade Andina Simon Bolívar, em Quito. Para o cientista político Simón Pachano, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) em Quito, as perspectivas para Moreno "são difíceis, especialmente sobre a situação econômica", que levou o país à recessão nos últimos trimestres.

Pachano não acredita que o novo presidente conseguirá manter os níveis de investimento social de Correa, que garante ter reduzido a pobreza de 36,7%, em 2007, para 22,9%, em 2016, e a miséria, de 16,5% para 8,7%."Este é o momento de renovar os compromissos e enfrentarmos juntos novos desafios. Vou trabalhar para cada um de vocês", declarou Moreno há uma semana, ao receber a credencial presidencial.

A oposição recuperou terreno na última eleição, aumentando sua presença no Parlamento, onde o governo deixa de ter a maioria qualificada de dois terços para reformar a Constituição, com uma maioria frágil de 74 cadeiras, contra 100 do período 2013-2017.
 

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