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Linha Direta

88% dos americanos que elegeram Trump estão felizes com o seu voto

Áudio 04:56
Trump ganhou a eleição com quatro promessas básicas: substituir o Obamacare, construir um muro na fronteira com o México, destruir o grupo Estado Islâmico e reanimar a economia.
Trump ganhou a eleição com quatro promessas básicas: substituir o Obamacare, construir um muro na fronteira com o México, destruir o grupo Estado Islâmico e reanimar a economia. REUTERS/Kevin Lamarque
12 min

O presidente americano Donald Trump completou nesta semana seis meses de mandato. Entre declarações polêmicas, afirmações falsas e atitudes nem sempre presidenciais, Trump continua popular com o seu eleitorado e contestado por uma grande parte da população americana.

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Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

 

Donald Trump começou seu governo já sob forte críticas e baixos índices de aprovação, o que é algo pouco comum para um novo presidente americano.

Por incrível que pareça, Trump é uma pessoa constante, no sentido de que ele sempre teve um comportamento errático. A imagem dele continua a mesma, pois ele nada fez para mudá-la. Esses últimos seis meses foram compatíveis com o Trump que todos já conheciam, ou seja, foram cheios de bravatas, inverdades e atitudes pouco presidenciais.

Sondagens

Esta semana foi divulgada uma pesquisa da Reuters/Ipsus com os eleitores de 2016. 12% das pessoas que votaram em Trump em novembro dizem que não votariam nele hoje. Por outro lado, 88% dos que elegeram Trump dizem que ainda estão felizes com seu voto, um aumento de 6% em relação à porcentagem indicada em maio. Mesmo assim, segundo uma pesquisa do Washington Post/ABC, agora apenas 36% dos americanos aprovam Trump.

Promessas de campanhas

Trump ganhou a eleição com quatro promessas básicas: substituir o Obamacare, construir um muro na fronteira com o México, destruir o grupo Estado Islâmico e reanimar a economia.

A promessa de substituir o sistema de saúde que foi a marca de Barack Obama não podia estar, até agora, mais fracassada. Durante a campanha, Trump dizia ter um plano maravilhoso pra todos. Mas ele não tinha plano nenhum e acabou admitindo que nunca imaginou que resolver a questão da saúde fosse ser tão difícil.

Ele optou, então, por se afastar do processo político e acabou sem conseguir que um Congresso de maioria republicana substituísse o sistema de saúde, mesmo depois de os republicanos, por anos, se dizerem indignados com o Obamacare.

Nesta quinta, Trump voltou a se manifestar sobre o Obamacare, afirmando que é preciso “revogar e substituir esse desastre” e dizendo que o senado não deve ter recesso de verão enquanto não passar um plano que ofereça um bom sistema de saúde e que ele está com a caneta na mão pronto para sancionar o projeto de lei. A verdade é que Trump é um presidente independente, e os republicanos de carreira sabem que ele não é um deles, portanto não vão se esforçar muito para ajudar Trump a se vangloriar depois.

O muro encolheu

O prometido muro de quase três quilômetros encolheu desde a campanha presidencial. Agora Trump disse que o muro vai ter cerca de um quilômetro. Apesar de a construção não ter começado, Trump já fala que o muro terá painéis solares e deve ser “transparente” para, segundo o presidente americano, evitar que as pessoas tentem atirar drogas para o outro lado e acabem machucando alguém. Os deputados republicanos têm uma proposta de um orçamento de USD 1,6 bilhão para a construção e o México até agora não prometeu contribuir com nada.

Estado Islâmico

Quanto ao Estado Islâmico, Trump teve uma pequena vitória. O grupo terrorista foi derrotado em Mosul, a segunda maior cidade do Iraque. E, apesar de o grupo ainda manter o controle de um grande território no Iraque e na Síria, Trump pode tomar crédito por um certo sucesso na Síria com o cessar-fogo acertado com a Rússia. Mas nem Trump ainda está pronto para declarar sucesso absoluto com a derrota do Estado Islâmico.

Economia

O que Trump tem ao seu lado é a economia, que está com um bom desempenho. O índice de desemprego está baixo (por volta de 4%) e foram criados, desde fevereiro, quase 900 mil empregos. Além disso, o índice S&P subiu 10,4% desde janeiro, o setor de imóveis está forte, e tanto os consumidores quanto os investidores estão confiantes. E os últimos números do setor de turismo, indicam que, ao contrário do que se pensava, ouve um aumento em viagens para os Estados Unidos, nos últimos meses.

Apesar dos diversos fracassos e até mesmo fiascos, como ficar de bate-boca colegial pelo Twitter e inclusive usar a rede social para fazer acusações absurdas como dizer que Obama escutava as conversas dele na Trump Tower, Trump realmente já cumpriu algumas de suas promessas, como a nomeação de Neil Gorsuch para a Suprema Corte e ter saído da Parceria Transpacífico e do Acordo de Paris.

Além disso, uma das medidas mais polêmicas foi proibir a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de seis países de maioria muçulmana identificados pelo governo anterior como de risco mais elevado de terrorismo. Essa medida, aliás, foi primeiro muito mal implementada, o que causou confusão e foi suspensa por alguns juízes federais, até a Suprema Corte, em junho, julgar parcialmente em favor da Casa Branca.

Fake News

Esta semana Trump surpreendeu mais uma vez ao dar uma entrevista para o New York Times, diário que o presidente americano constantemente acusa de veicular notícias falsas, e criticar a conduta de Jeff Sessions, o procurador-geral nomeado por ele. Esse tipo de atitude faz com que a base de Trump precise cada vez fazer mais acrobacias para defendê-lo, ainda mais depois de serem reveladas todas as interações com a Rússia que a campanha dele jurava nunca terem acontecido.

Parece que Trump tem descaso pela verdade e não se importa em brincar com fatos, desde que isso agrade sua plateia no momento. Por exemplo, Trump disse durante a campanha que conhecia Vladimir Putin e tinha um bom relacionamento com o presidente russo.

Depois de eleito, Trump passou a dizer que nunca tinha falado com Putin. Ele também afirmou categoricamente, diversas vezes, que ninguém de sua campanha tinha tido contato com os russos. Na semana passada, foi revelado que o filho de Trump se reuniu na Trump Tower com russos, que possivelmente representavam o governo de Putin.  

A base continua forte

No entanto, os eleitores de Trump continuam na defesa dele, pois acreditam que o presidente está fazendo tudo para melhorar a vida deles e os detalhes não interessam. Também interessante é que, mesmo com o alto índice de repúdio a Trump, Hillary Clinton é ainda menos popular que o presidente, segundo uma pesquisa recente da Bloomberg.

A investigação sobre um possível envolvimento da campanha de Trump com a Rússia continua firme, e cada vez mais advogados são contratados para integrar a equipe de Robert Mueller, conselheiro especial para a investigação. Mesmo assim, até agora, não há resultado concreto e isso está começando a irritar a população, tanto a favor como contra Trump, pois significa muito dinheiro e tempo perdidos.

Algumas pessoas da comunidade de inteligência de Washington desconfiam que a ideia é levar a coisa pelo máximo de tempo possível, sem a intenção de se chegar a nada de concreto. Mas a maioria dos analistas acreditam que Mueller está fazendo um trabalho metódico para garantir que não hajam erros e todos os envolvidos sejam mesmo identificados.

Os democratas devem logo  começar a pensar nas eleições de 2020 e escolher um bom candidato, senão vão acabar sendo surpreendidos com mais quatro anos de Trump.

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