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Escândalo

Igreja Católica é sacudida por novo escândalo de pedofilia nos EUA

Igreja Católica em Pittsburgh, no Estado americano da Pensilvânia.
Igreja Católica em Pittsburgh, no Estado americano da Pensilvânia. REUTERS/Jason Cohn
4 min

Uma ampla investigação nos Estados Unidos encontrou provas contra ao menos 300 padres abusadores e identificou mais de mil menores que foram vítimas, durante décadas, de abusos sexuais encobertos pela Igreja Católica no Estado da Pensilvânia.

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"Acreditamos que o número real [de menores assediados] está nos milhares", destaca o relatório de 1.400 páginas sobre o abuso sexual de crianças em quase todas as dioceses do estado de Pensilvânia. O documento ressalta que a maioria das vítimas era de meninos, mas havia meninas, muitos na pré-adolescência.

O relatório revela detalhes sórdidos sobre os abusos. Muitas crianças foram expostas à pornografia e obrigadas a consumir bebidas alcoólicas. Vários menores foram estuprados.

A investigação é considerada como uma das mais exaustivas sobre o abuso sexual na Igreja católica americana. Segundo a imprensa americana, o relatório destaca nomes e detalhes nunca antes revelados.

"Alguns foram forçados a masturbar seus agressores ou foram tocados por eles, e outros foram violentados", mas em todos os casos há autoridades eclesiásticas "que preferiram proteger os abusadores e a instituição acima de tudo", revela o documento do júri que analisou as informações levantadas pela investigação.

Em um dos casos mais chocantes, um padre estuprou uma menina de sete anos em um hospital após a criança ter sido submetida a uma operação para retirar as amígdalas. Em outro ataque, um menino foi dopado e acordou no dia seguinte com o ânus sangrando, sem lembrar do que ocorreu.

"Acobertamento sistemático" dos agressores

Segundo o procurador-geral da Pensilvânia, Josh Shapiro, a investigação, que durou 18 meses, revelou um "acobertamento sistemático" dos abusos por parte de funcionários eclesiásticos na Pensilvânia e no Vaticano. "Os padres estavam violentando meninos e meninas, e os 'homens de Deus' que eram responsáveis por eles não fizeram nada além de acobertar tudo, durante décadas", destaca o relatório.

Shapiro lamentou que a maioria dos casos é antiga demais para se apresentar acusações. Mas, "para muitas vítimas, o relatório fez justiça" ao revelar os culpados, declarou Shapiro aos jornalistas.

O relatório cita dois padres que puderam ser denunciados por crimes que não prescreveram: um que ejaculou na boca de uma menina de sete anos e outro que agrediu sexualmente dois meninos durante anos, até 2010. No entanto, as investigações ainda podem render: "não estamos satisfeitos com as poucas denúncias que vamos apresentar, que representam apenas um pequeno percentual de todos os abusadores de menores que vimos", afirma o documento.

O júri proporá ainda várias medidas, como reformar a lei para estender o prazo de prescrição dos crimes sexuais contra menores, dar mais tempo às vítimas para apresentar processos civis e endurecer a legislação sobre o encobrimento.

Dez mil padres pedófilos

Cerca de 10 mil padres católicos já foram apontados por assédio sexual nos Estados Unidos, mas apenas 200 acabaram sendo julgados e condenados por seus crimes, segundo a Ong Bishop Accountability.

Desde a explosão do escândalo por denúncias de pedofilia, a Igreja Católica americana já gastou mais de US$ 3 bilhões em acordos com as vítimas, aponta a Ong. No total, Bishop Accountability identificou acordos com 5.679 supostas vítimas, do total de 15.235 denúncias até 2009.

Estima-se que cerca de cem mil pessoas foram vítimas sexuais de padres católicos nos Estados Unidos.

(Com informações da AFP)

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