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Drogas

Antiga fortaleza de Pablo Escobar é demolida na Colômbia

Edifício Mônaco se tornou ponto atração em Medellín, com turistas visitando o local para conhecer a antiga casa de Pablo Escobar
Edifício Mônaco se tornou ponto atração em Medellín, com turistas visitando o local para conhecer a antiga casa de Pablo Escobar JOAQUIN SARMIENTO / AFP
Texto por: RFI
4 min

O edifício Mônaco, antiga fortaleza do ex-chefe do narcotráfico Pablo Escobar em Medellín, será demolido com explosivos nesta sexta-feira (22) pelo prefeito da cidade colombiana. O objetivo é construir em seguida um parque dedicado às vítimas do tráfico de drogas liderado pelo criminoso morto nos anos 1990.

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Os oito andares do prédio, que no passado serviu de bunker para proteger o chefe do cartel de Medellín e sua família serão demolidos às 11h00 locais (13h00 em Brasília), em um evento aberto ao público. “Não se trata de apagar a história, e sim de começar a contá-la em honra a nossos verdadeiros heróis: as vítimas", indicou a prefeitura de Medellín em sua conta de Twitter.

No local, quase em ruínas após ter sido um monumento ao luxo e à extravagância, se construirá um espaço de 5.000 metros quadrados em homenagem aos milhares de cidadãos que perderam a vida durante a época mais crua do chamado "narcoterrorismo", como ficou conhecida a guerra sem trégua dos cartéis contra o Estado nos anos 80 e 90.

O Mônaco foi também alvo do primeiro atentado com carro-bomba na Colômbia. Em 1988, o cartel de Cali atacou a estrutura, com Escobar e sua família dentro. A explosão afetou o ouvido da filha do barão da droga e provocou uma guerra sangrenta entre cartéis. O ataque também feriu o ego do narcotraficante, pois os explosivos afetaram suas valiosas coleções de carros e de obras de arte.

Local virou ponto turístico

A iniciativa é parte de uma campanha da prefeitura da cidade de Medellín, que Escobar transformou em reduto de suas ações, para contar outra parte da história nem sempre registrada pelas séries de televisão ou pelos percursos turísticos nos quais o edifício é parada obrigatória. Todos os dias, grupos de curiosos visitam o fortim branco que o narcotraficante construiu nos anos 80 em El Poblado, um dos bairros mais ricos de Medellín.

Escobar foi um dos homens mais ricos do mundo, segundo o ranking da Forbes, após fundar um império do crime e do terror. Foi morto pela polícia em 1993.

Como parte da iniciativa do governo, desde 2018 estrangeiros e locais que participam nos "narcotours" se deparam com um edifício coberto de cartazes que lembram esses outros "protagonistas" que a prefeitura se empenhou em ressaltar: policiais, jornalistas, civis ou juízes assassinados por ordem do capo. "Respeitem nossa dor, honrem nossas vítimas (1983-1994). 46.612 vidas a menos", diz um dos cartazes que cairão junto com a estrutura, 25 anos depois da morte de Escobar.

"A demolição é um passo, mas talvez a reivindicação e a voz das vítimas sejam o que mais pode espantar o fantasma" do narcotraficante, explica Alonso Salazar, autor do livro "Pablo Escobar: Ascensão e Queda do Grande Traficante de Drogas" e ex-prefeito de Medellín.

Apesar da queda de Escobar e de outros grandes chefes do narcotráfico, a Colômbia continua sendo o principal produtor mundial de cocaína, e os Estados Unidos o maior consumidor dessa droga.

(Com informações da AFP)

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