Venezuela/ Crise no governo

Chavistas e opositores saem às ruas para defender seus líderes

Aperto de mãos entre Juan Guaidó e um militar da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), em 30 de abril de 2019.
Aperto de mãos entre Juan Guaidó e um militar da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), em 30 de abril de 2019. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Os protestos recomeçam na Venezuela após o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó ter madrugado nesta terça-feira (30) na base militar de La Carlota, a mais importante da capital, Caracas. Acompanhado por militares e pelo líder opositor Leopoldo López, que estava em prisão domiciliar, Guaidó pediu para o povo ir às ruas apoiar o que ele chama de “a última etapa da Operação Liberdade”.

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Por Elianah Jorge, correspondente da RFI Brasil na Venezuela

Por meio desta movimentação, iniciada em 23 de janeiro deste ano, ele quer tirar o presidente Nicolás Maduro do poder. Guaidó afirma que Maduro está usurpando poderes após ser reeleito para seu segundo mandato em eleições consideradas fraudulentas pela comunidade internacional.

Há dias Guaidó havia convocado uma grande marcha para esta quarta-feira, feriado do Dia do Trabalho. No entanto, a população se surpreendeu com a ação opositora. Mesmo assim, muitos se uniram ao autoproclamado presidente pedindo o fim do segundo governo de Maduro, iniciado em janeiro deste ano.

Também surpreendeu a participação de militares ao lado dos líderes opositores nas imediações da base aérea. Para deixar nítido ao povo o apoio a Guaidó, os militares amarraram laços na cor azul em um dos braços, imitando o líder opositor.

Redes sociais

O governo de Nicolás Maduro ganhou o apoio dos fiéis chavistas, porém estes estavam em menor número que os opositores. O presidente venezuelano não apareceu em público e sequer no canal estatal. Porém Maduro usou as redes sociais para incentivar a população chavista.

Quem apareceu junto ao povo, perto do Palácio Presidencial do Miraflores, foi o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello. Ele afirmou que caso seja preciso, a repressão aos opositores será ainda maior do que a de 2017, quando os protestos, que duraram cerca de quatro meses, deixaram mais de 150 mortos.

O Ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, desestimou a ação opositora ao afirmar que “cerca de 80% dos militares” que apoiaram a oposição nesta terça-feira “foram enganados” por Juan Guaidó.

Pelos menos cinco canais de televisão a cabo foram retirados do ar. A Radio Caracas Radio, uma das poucas estações venezuelanas ainda contrária ao governo de Maduro, foi retirada do ar por ordem do órgão estatal que regula os meios de comunicação no país.

Repressão

Houve protestos em pelo menos 13 estados do país. Na capital, Caracas, um tanque da Força Armada Bolivariana atropelou manifestantes. Até o início da tarde hoje pelo menos 30 pessoas ficaram feridas nos confrontos. Os manifetsantes opositores lançavam pedras e coquetéis molotov contra tanques nos quais estavam militares venezuelanos.

O general Carlos Armas López, que preside a CAVIM, o maior arsenal do país, localizado em Maracay, a 150 kms de Caracas, foi sequestrado por aliados da oposição.

Desde 2014 a Venezuela entrou em uma espiral descendente com violentos protestos e escassez de alimentos, remédios e até mesmo de gasolina, algo impensável na década de 1980, quando o país era um dos principais produtores de petróleo mundial e chamado de “Venezuela Suadita”, graças à pujança econômica gerada pelo principal produto que move a economia do país.

Atualmente mais de 50 países apoiam o governo do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó. Os Estados Unidos, inclusive, anunciaram que caso Nicolás Maduro não entregue o poder até dezembro deste ano haverá uma intervenção militar na Venezuela.

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