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Bolívia: presidente Evo Morales renuncia ao cargo em meio a acusações de fraude eleitoral

O presidente da Bolívia Evo Morales não resistiu à pressão e renunciou neste domingo (10)
O presidente da Bolívia Evo Morales não resistiu à pressão e renunciou neste domingo (10) HO / Bolivia TV / AFP

A renúncia neste domingo (10) do presidente boliviano, Evo Morales, pressionado pelos protestos nas ruas, perda de apoio das Forças Armadas, e suspeita de fraudes nas eleições, foi comemorada nas ruas do país.

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Em um discurso transmitido na TV estatal, Morales, reeleito no dia 20 de outubro ao quarto mandato, acusou os líderes da oposição. "Renuncio a meu cargo de presidente para que Carlos Mesa e Luis Fernando Camacho não continuem perseguindo dirigentes sociais", disse Morales em Cochabamba.

O primeiro presidente indígena da Bolívia defendeu seu legado que, segundo ele, levou progresso econômico e social a um dos países mais pobres da América Latina. "Estamos deixando a Bolívia com muitas conquistas sociais", disse em sua mensagem de renúncia o presidente de 60 anos.

Morales afrimou que não abandonaria seu país, mas o México se ofereceu para recebê-lo "conforme sua tradição de asilo", escreveu o chanceler Marcelo Ebrard, que falou em "20 personalidades do Executivo e do Legislativo da Bolívia" asiladas na embaixada mexicana na capital boliviana.

O presidente da Câmara de Deputados, Víctor Borda, e o ministro de Mineração, César Navarro, foram alguns dos dirigentes que renunciaram durante o dia depois que suas casas foram atacadas por opositores. A saída de Morales precedeu as primeiras detenções de membros da entidade eleitoral que certificou sua vitória no primeiro turno. Ontem a OEA pediu que a eleição fosse cancelada.

"Lição ao mundo"

O candidato opositor e ex-presidente Carlos Mesa disse que os bolivianos "deram uma lição ao mundo". A praça Murillo de La Paz, onde fica o Palácio Quemado, foi tomada por bolivianos que comemoravam a renúncia de Morales, que governou a Bolívia por quase 14 anos, um recorde nacional. A Bolívia vive agora um vácuo de poder, com a renúncia de todas as autoridades que formavam a linha de sucessão constitucional.

A Constituição boliviana prevê que a sucessão começa com o vice-presidente, depois passa para o líder do Senado e, depois, para o titular da Câmara dos Deputados. Mas todos eles renunciaram com Morales.

Após sua saída do poder, a polícia prendeu a presidente do Tribunal Eleitoral da Bolívia (TSE) e outras autoridades eleitorais por ordem do Ministério Público, que investiga as irregularidades nas últimas eleições.

Reações

O ministério das Relações Exteriores brasileiro expressou, em nota, sua profunda preocupação com as irregularidades apontadas no relatório da OEA sobre as eleições no país vizinho, "que desqualificam o pleito e levam à necessidade de convocação de um novo processo eleitoral".

Diversos responsáveis da esquerda latino-americana, incluindo a Argentina, Cuba, Nicarágua e Venezuela, assim como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenaram um "golpe de estado".

(Com informações da AFP)

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