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Brasil/ Eleições

Para analista, candidatura de Dilma não emancipa mulher brasileira. Assista ao vídeo

RFI
Texto por: RFI
3 min

Raphaël Gutmann, da Terra Cógnita, empresa de consultoria sobre países emergentes e professor da Escola Superior de Gestão de Paris, destaca a maior representatividade das mulheres nessas presidenciais no Brasil. Mas segundo ele, a campanha de Dilma até agora não serviu à emancipação da mulher brasileira, já que a candidata veicula a imagem de uma mulher submissa a um homem: o presidente Lula, que a escolheu para sucedê-lo.

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“Nessa eleição presidencial, a gente observa uma melhoria óbvia na representatividade das mulheres. Basta sublinhar um dado. Entre os três principais candidatos, duas são mulheres: a Dilma do PT e a Marina do PV. Sobretudo, no caso da Dilma se eleger, ela será a primeira mulher presidente do Brasil. Mas será que isso significa que o Brasil deixou de ser um país machista na área política? Acho que a resposta tem que ser cautelosa e isso porque a própria personalidade política da Dilma se revelou muito paradoxal nesse sentido. Apesar de ser conhecida como uma mulher forte e autoritária, uma dama de ferro, a sua campanha eleitoral transmite a imagem de uma mulher submissa a um homem: o Lula, que a escolheu para sucedê-lo. De fato, dentro do casal político Dilma-Lula difundido pela propaganda do PT, quem manda é o homem. Quando os adversários atacam a Dilma, quem contra-ataca é o Lula. Além disso, desde que ela se candidatou, a Dilma mudou de visual para se adequar à imagem tradicional da mulher brasileira. Ela ficou muito mais vaidosa, se maquia e usa cortes de cabelo e roupas sofisticadas.

A onipresença do Lula e a mudança física da Dilma provocam o sarcasmo dos concorrentes eleitorais. O Plínio do PSOL chamou a Dilma de “moça” e de “inventada”, quando o Serra do PSDB disse que o Lula falava por ela. Tudo isso passa a imagem de uma mulher fraca e sem defesa. No entanto, para quem segue a Dilma há muito tempo, essa impressão é claramente falsa. Então, como explicar esse fenômeno? Acho que está relacionado a dois fatores: primeiro, ao fato do Lula monopolizar a campanha apesar de deixar o cargo; segundo, ao papel dos marqueteiros, pois são eles que decidem o que a candidata tem que falar, como tem que falar e até como que ela tem que se vestir. Nesse contexto, a Dilma conteve sua personalidade e perdeu assim parte da sua identidade. Por essa razão, essa campanha não representa uma emancipação da mulher brasileira. Para que isso possa mudar, a Dilma terá que se liberar e se emancipar tanto da figura tutelar do Lula quanto da influência dos marqueteiros.

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