Organização da Copa 2014 é um dos maiores desafios

As obras no estádio "Mané Garrincha", em Brasília começaram em maio.
As obras no estádio "Mané Garrincha", em Brasília começaram em maio. A. Brandão

Um dos maiores desafios do próximo presidente brasileiro é a organização da Copa do Mundo de Futebol de 2014. O Brasil já é o país-sede mais atrasado na preparação para a Copa das Confederações, competição que serve de teste e acontece um ano antes da abertura do Mundial. Em cinco (Curitiba, São Paulo, Recife, Natal e Fortaleza) das 12 capitais escolhidas pela FIFA para sediar jogos, as obras dos estádios ainda não começaram. 

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A situação indefinida mais emblemática é a de São Paulo. A capital econômica brasileira, que reivindica a realização do jogo de abertura da Copa 2014, nem sequer definiu o estádio que a cidade apresentará como arena. Itaquera, Pacaembu, Palestra Itália... “O estádio que está mais próximo de poder iniciar as obras, em relação às reformas, é o Morumbi. Não há mais tempo de fazer em outro lugar”, defende o engenheiro paulistano Luiz Célio Bottura.

Polêmico, o engenheiro acredita que a FIFA não leva em conta a realidade brasileira. “As exigências da FIFA são muito abrangentes. Elas têm como padrão a vivência, a infra-estrutura e a renda européias”, afirma. “Não critico a cultura européia, claro, mas critico a FIFA que tem na Copa do Mundo um grande negócio e não abre mão dos seus lucros. Com isso, torna complexa a realização do evento”, acrescenta.

Em relação a ser a sede do jogo de abertura do Mundial, Luiz Célio Bottura diz que não é a cidade de São Paulo que precisa da partida inicial, mas é a FIFA e a CBF que necessitam da capital paulista. “Se eles precisam da riqueza paulistana para ganhar mais dinheiro, então, que eles antecipem um pouco desse montante para o estádio”, coloca.

“O mundo aceitaria um fiasco da África do Sul, pois é um país subdesenvolvido, com uma série de outros problemas, mas nós já somos um país pretendente ser desenvolvido e não podemos passar esse fiasco mundial, senão vamos perder a credibilidade internacional”, conclui o engenheiro Luiz Célio Bottura.

Brasília sonha em abrir o Mundial

Outras cidades-sede garantem que cumprem os prazos. Brasília, apesar alguns problemas como a paralisação pela Justiça da construção do veículo leve sobre trilhos, VLT, que vai ligar o Aeroporto Internacional JK ao plano piloto, garante que estará pronta para acolher a Copa das Confederações daqui a 33 meses.

As obras do Mané Garrincha começaram em maio deste ano. O novo estádio do Distrito Federal custará 696 milhões de reais aos cofres públicos, será uma arena multifuncional e terá 70 mil lugares, uma capacidade que faz o coordenador do projeto Copa 2014 do Distrito Federal, Sérgio Lima da Graça, sonhar que a capital brasileira irá abrir o Mundial.

“O estádio cumpre todas as exigências e todas as recomendações da FIFA. É o estádio mais moderno que será construído no Brasil”, afirma. “Brasília tem um privilégio de ser a única cidade do país a fazer a Copa do Mundo a pé. Além disso, temos uma capacidade hoteleira e estacionamento mais do que o suficiente, o que nos credencia a ser a sede de abertura”, acrescenta. A FIFA deve definir a cidade sede da abertura do Mundial de 2014 em dezembro deste ano.

O investimento total previsto é de cinco bilhões de dólares, cerca de 8,5 bilhões de reais. Especialistas dizem ainda que esse número poderá ser multiplicado por cinco ou seis. Já o impacto econômico da Copa do Mundo deve chegar a 183 bilhões de reais para o país.

Brasil é o país-sede mais atrasado na organização da Copa das Confederações

Com a colaboração de João Alencar
 

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