Brasil/ Eleições

Lula não priorizou o desenvolvimento sustentável, critica especialista francês

François Michel Le Touneau, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS).
François Michel Le Touneau, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS). RFI

Apesar do prestígio do presidente Lula na cena internacional, o balanço dos oito anos do governo petista foi criticado sob vários aspectos pelos diversos especialistas franceses e brasileiros reunidos nesta terça-feira no Festival de Biarritz, para uma jornada de debates intitulada "Os Anos Lula".

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Os cientistas políticos e historiadores convidados pelo Instituto de Altos Estudos da América Latina, da Universidade Sorbonne Nouvelle, traçaram um panorama bem contrastado dos dois mandatos do governo Lula, apontando falhas como a falta de uma reforma política partidária ou de uma verdadeira reforma agrária no país. Um dos temas de maior interesse do público e um dos maiores alvos de críticas ao governo petista foi a sua ação no que se refere ao meio ambiente.

François Michel Le Tourneau, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas, esperava mais no setor do desenvolvimento sustentável. Segundo o pesquisador, se o Partido Verde não conseguir nessas eleições uma maior representatividade parlamentar, a sustentabilidade também não deverá ser uma prioridade do próximo governo.

Balanço contrastado

Para o organizador do seminário, Olivier Compagnon, professor da Universidade Paris 3 Sorbonne Nouvelle, a eleição de Lula em 2002 foi apresentada pela imprensa internacional com um evento marcante na história contemporânea já que pela primeira vez um "homem do povo" era eleito no Brasil, onde o poder até então era dominado pelas oligarquias locais.

Compagnon acha que Lula teve, com efeito, uma ação de protagonista na cena internacional mas decepcionou justamente nos setores em que se esperava mais de seu governo como as questões sociais, a reforma agrária ou a melhoria dos serviços públicos. "Lula foi um presidente que tranquilizou os mercados financeiros e seguiu a linha econômica neoliberal dos governos precedentes, garantindo um crescimento extraordinário para o Brasil", afirma o professor. Segundo ele, o presidente conseguiu transformar o Brasil num ator mundial de primeiro plano nas relações norte-sul e sul-sul, mas paradoxalmente é no plano social que o balanço de seus dois mandatos pode ser mais criticado.

As eleições brasileiras ganharam espaço no Festival de Cinemas e Culturas da América Latina em Biarritz

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