Lula negligenciou a educação, afirma jornal francês

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Roosewelt Pinheiro/ABr

Há dois dias dos eleitores brasileiros irem às urnas, o jornal francês La Croix dedica sua manchete de capa ao Brasil e destaca o que considera o problema crônico do país: a educação. "Brasil, o elo frágil" é o título da capa seguida de um comentário de que sob o comando de Lula o país conheceu um formidável crescimento econômico mas mantém muitas deficiências como o nível muito fraco da formação de jovens.

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O sucessor de Lula deverá enfrentar o desafio da educação escreve o jornal católico, exibindo estatísticas como índice de analfabetismo que atinge 12,5% da população acima de 25 anos de idade. Apenas 38% dos brasileiros entre 25 e 34 anos concluíram 2° grau enquanto na Coreia do Sul eles são 94%, escreve o diário católico.

Como 22% dos brasileiros que entram no mercado de trabalho são considerados pouco qualificados para as funções, o La Croix afirma que o país vai sofrer no futuro com a falta mão-de-obra especializada em setores de ponta.

Citada pelo jornal, uma diretora da Fundação Lemann, que luta pela melhoria da educação, lamenta que o presidente Lula tenha perdido uma ótima oportunidade de usar sua popularidade para lutar pela educação e critica o orgulho do presidente em dizer que fez melhor do que seus antecessores, mesmo sem diploma universitário.

Outra constatação do enviado especial do jornal ao Brasil foi de que a popularidade de Lula impediu a oposição de lançar debates sobre problemas profundos do país.

"Exóticos"

Já o jornal conservador Le Figaro, dedica uma reportagem de meia capa aos candidatos considerados "exóticos", com destaque para o candidato à deputado federal Tiririca que aparece em foto fazendo corpo a corpo nas ruas da capital paulista. Um palhaço em campanha para atrair votos, é o título da reportagem que lista vários personagens que ingressaram na política por causa de sua popularidade.

Outros lembrados pelo jornal são o ex-jogador de futebol Romário e Suéllem Rocha, conhecida como "mulher Pera". A motivação de suas candidaturas é óbvia escreve o Le Figaro: relançar suas carreiras profissionais. Em entrevista ao jornal, o cientista político francês Stéphane Monclaire explica que muitos partidos acolhem esses candidatos com o objetivo bem planejado de puxar votos para a legenda.

 

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