Brasil/ Eleições

Sucessor de Lula vai herdar agenda internacional complexa

O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasilia, Carlos Pio
O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasilia, Carlos Pio RFI

O ativismo diplomático marcou os 8 anos do governo Lula e aumentou a presença do Brasil no mundo. O Brasil atuou em várias frentes e o presidente Lula deixa uma agenda internacional complexa para seu sucessor. As negociações e os jogos de interesses entre países em desenvolvimento, emergentes e desenvolvidos continuam em vários setores como clima, comércio mundial e democratização das instituições multilaterais internacionais e devem orientar a política externa do próximo presidente brasileiro.

Publicidade

O ex-embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP e membro do Gacint - Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP acredita que haverá continuidade na política externa brasileira. Para Rubens Barbosa, alguns excessos foram cometidos pelo governo Lula, como a relação com o Irã, Honduras e a tentativa de país de participar da mediação no conflito no Oriente Médio. O embaixador espera que esses excessos sejam atenuados pelo próximo presidente do país.

O professor do Núcleo de pesquisas e Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, José Augusto Guillon de Albuquerque, acha que o Brasil perdeu credibilidade durante o governo Lula que tentou criar uma

José Augusto Guillon de Albuquerque
José Augusto Guillon de Albuquerque

nova ordem internacional. Guillon de Albuquerque pensa que um dia o Brasil será incluído como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, mas que essa ampliação não depende do Brasil: "Isso não é algo que se dispute, é algo que se é convidado", afirma o professor.

O historiador da USP, Boris Fausto, pensa que a atitude do Brasil em relação ao Irã vai dificultar por muito tempo a obtenção pelo país de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Para Boris Fausto, o principal desafio do próximo presidente é reestabelecer a autonomia do Itamaraty.

Parceria com a China

A política externa comercial também será um dos desafios do sucessor de Lula, principalmente com a China, primeiro parceiro comercial do Brasil. O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasilia, Carlos Pio, defende o aprofundamento da relação com a China mesmo se existe um questionamento do ponto de vista político.

Especialistas pedem correções na política e comércio externos brasileiros

 

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.