Eleições/Brasil

"Dilma vai implantar plano de austeridade", prevê analista francês

O presidente Lula da Silva e sua sucessora, Dilma Rousseff.
O presidente Lula da Silva e sua sucessora, Dilma Rousseff. Ảnh: REUTERS/Ricardo Stuckert

Para o professor de Ciências Políticas da Universidade de Paris-Sorbonne, Stéphane Montclaire, os desafios da nova presidente já começam nesta segunda-feira.

Publicidade


A campanha não permitiu o debate de problemas econômicos sérios, como o déficit estrutural da balança comercial, positiva graças à importação das matérias-primas. A economia brasileira é vulnerável à queda do preço de algumas matérias-primas, e da queda de importação por parte da China”, explica Stéphane Montclaire. Para ele, a combinação desses fatores, somada aos baixos investimentos privados, gera uma supervalorização do real, causando alta de preços e possível inflação. Devido a esse contexto, a presidente deverá preparar um pacote de austeridade para equilibrar as finanças do país. “O ajuste fiscal é um desafio maior para Dilma. A execução da reforma tributária é a única maneira de diminuir efetivamente as desigualdades sociais”, defende o cientista político. “Esse pacote de ajustes pode ser preparado ainda na transição”, conclui.

A falta de carisma da nova presidente também será decisiva, diz Monclaire. “Os brasileiros estão acostumados a um presidente que está próximo das pessoas. Além disso, Lula também soube seduzir a opinião pública internacional. Não é o caso da Dilma. E talvez, por isso, Celso Amorim ainda continue como chanceler durante alguns meses", conclui o professor.

Itamaraty

Para o historiador da USP, Boris Fausto, o principal desafio da próxima presidente será restabelecer a autonomia do Itamaraty.  “O que é importante é a preservação do Itamaraty como um órgão que paire acima das oscilações dos governos brasileiros. O que se fez no Itamaraty é muito grave, o Itamaraty foi extremamene politizado e há algumas instituições básicas que devem ser respeitadas”, observa Boris Fausto.

Olimpíadas e Copa do Mundo

Gaspar Estrada, do Observatório da América Latina da universidade francesa Sciences Po, diz que se Dilma quiser se candidatar daqui a quatro anos, “precisará propor alguma coisa nova, como mais qualidade no serviço público, diminuição da taxa de juros, e aumento do investimento privado, sem a ajuda do BNDES, para que a economia continue crescendo”.

Segundo Gaspar Estrada, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 também serão eventos decisivos. “Teremos que ver qual será a sustentabilidade desses investimentos, para ver se serão perenes ou não", analisa Fausto. Segundo ele, também será necessário, antes de tudo, que a distribuição do poder no Parlamento seja definida.” Na questão da educação, o especialista lembra que é fundamental para o país subir o piso salarial dos professores e reformar o currículo escolar", conclui.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.