Moçambique/Brasil

Brasil vai lutar por vaga permanente em Conselho da ONU, diz Lula

Chegada da comitiva presidencial a Maputo, em Moçambique.
Chegada da comitiva presidencial a Maputo, em Moçambique. Liliam Chagas/MRE

O presidente Luis Inácio Lula da Silva chegou hoje a Moçambique, em sua terceira visita ao país africano. Ao desembarcar no aeroporto de Maputo, Lula comentou a declaração feita ontem pelo presidente americano Barack Obama, defendendo a entrada da Índia no Conselho de Segurança da ONU como membro permanente, vaga que também é disputada pelo Brasil.  

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Lucas Bonano, da agência de notícias da Aids, em colaboração especial para a Rádio França Internacional

O presidente brasileiro disse que a afirmação de Obama não frusta as pretensões brasileiras e lembrou que os Estados Unidos são "apenas uma das cinco vozes" do Conselho de Segurança e que a França, a Inglaterra e a China defendem um assento permanente para o Brasil.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que acompanha Lula na viagem, também disse que o apoio dos Estados Unidos à India não atrapalha às ambições do Brasil. Para Amorim, os dois países "não concorrem à mesma vaga" já que, se houver mesmo a reforma do Conselho, "todos os continentes terão que estar representados".

O presidente Lula inicou, nesta terça-feira, visita de dois dias ao Moçambique. O primeiro compromisso na agenda do presidente foi uma aula magna concedida hoje na Universidade Pedagógica de Moçambique, a primeira instituição estrangeira a fazer parte da Universidade Aberta do Brasil.

O projeto, que vai permitir que professores brasileiros formem alunos africanos por teleconferência, deve beneficiar, em princípio, 600 alunos das cidades moçambicanas de Maputo, Beira e Lichinga. O programa vai capacitar professores e funcionários e deve incluir, mais tarde, 7 mil alunos em 9 cidades do país.

O presidente Lula disse que a ideia é transformar o projeto em referência para todo o continente africano e incentivar países como a França e o Reino Unido a firmarem parcerias de ensino à distância com suas ex-colônias. Durante seu pronunciamento, Lula disse que o Brasil tem uma "dívida histórica" com a África.

"A formação do povo brasileiro deve muito ao continente africano. Em outras palavras, os brasileiros são o que são (…) graças à mistura com os africanos e indianos", afirmou.

Lula se encontra também com empresários brasileiros que atuam em Moçambique e com o presidente Armando Emílio Guebuza. Nesta terça-feira, o presidente brasileiro também assinou um acordo para implantar em Moçambique um projeto de banco de leite humano, cujo objetivo é promover o aleitamento materno nos casos em que a própria mãe não puder amamentar.

 Fábrica de retrovirais

A escala de Lula em Maputo, antes da reunião do G20 na Coreia do Sul, também tem o objetivo de consolidar a parceria dos países na luta contra a epidemia da Aids e no tratamento dos doentes. Na quarta-feira de manhã, Lula visita as instalações da futura fábrica de antirretrovirais construída com o apoio do Brasil. O projeto nasceu há sete anos, durante a primeira visita de Lula ao país. A fábrica deve entrar em operação em 2011.

A taxa de incidência da Aids em Moçambique é uma das mais elevadas da região sul do continente africano. Para uma população de aproximadamente 22 milhões, Moçambique tem cerca de 15% dos adultos vivendo com HIV e Aids. No entanto, hoje, apenas cerca de 200 mil pessoas recebem tratamento.

Em entrevista à RFI, Roselli Tardelli, editora executiva da Agência da Aids no Brasil e da Agência de Notícias Sida em Moçambique avalia os avanços da cooperação dos dois países na questão.

Roseli Tardelli, editora executiva da Agência da Aids no Brasil

Diplomacia

Durante seus dois mandatos, Lula visitou cerca de 20 dos 54 países africanos, intensificando assim as relações com os países do sul, uma das prioridades da diplomacia brasileira.
A estratégia de aproximação com a Africa acabou rendendo frutos. Desde que assumiu Lula assumiu o poder pela primeira vez em 2003, o intercâmbio comercial do Brasil com os países africanos triplicou, passando de 6,16 bilhões de dólares para 17,15 bilhões no final de 2009.

A expectativa agora é saber se a presidente eleita, Dilma Rousseff, vai manter a mesma política com os países africanos. A presidente estava sendo aguardada em Moçambique, mas acabou cancelando a viagem na última hora para, segundo ela, acertar os detalhes de seu novo governo no Brasil. Dilma Rousseff vai viajar diretamente para Seúl onde participa, ao lado do presidente Lula, da cúpula do G20, grupo que reúne emergentes e principais economias mundias.

 

 

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