Brasil/ África

Universidade de integração com a África implantada no Ceará

As obras do Campus provisório da UNILAB em Redenção devem ser concluídas em dezembro 2010
As obras do Campus provisório da UNILAB em Redenção devem ser concluídas em dezembro 2010 A. Brandão

A Universidade Federal de Integração LusoAfro-Brasileira (UNILAB) é a mais nova insitituição de ensino superior pública do Brasil. Ela começará a receber os primeiros 350 alunos em 2011. Metade das vagas é destinada a estudantes de países africanos de língua portuguesa ou do Timor Leste, e a outra metade a brasileiros, com prioridade para os estudantes da região de Redenção, cidade do interior do Ceará a 55 quilômetros de Fortaleza, onde a instituição está sendo implantada.  

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Redenção, cidade de 27 mil habitantes, foi escolhida para sediar a nova universidade porque foi o primeiro município do Brasil a abolir a escravidão, cinco anos antes da Lei Áurea e do resto do país. Em janeiro de 1883, todos os 116 escravos da cidade foram libertados como lembra o monumento na praça principal.

A lei que criou a UNILAB foi sancionada pelo presidente Lula, em julho de 2010, no mesmo tempo que o Estatuto da Igualdade Racial, texto que prevê garantias e o estabelecimento de politicas publicas de valorização dos negros. A fundação da universidade federal de integração LusoAfro-Brasileira, faz parte da politica de cooperação do Brasil com os paises do sul, uma das prioridades do governo Lula, e segue os moldes da UNILA, a Universidade de Integração Latinoamericana, fundada em janeiro de 2009, em Foz do Iguaçu.

O projeto da Unilab atraiu a professora de administração Maria Aparecida da Silva, que é negra e filha de pais analfabetos. Ela foi um dos 125 professores universitarios federais de todo o pais que se candidataram a uma das 15 vagas da nova instituição e foi aceita. Maria Aparecida trocou a Universidade Federal de Alagoas por Redenção onde ja se instalou com os dois filhos pequenos.

Os primeiros alunos da Unilab ainda não chegaram, mas Maria Aparecica e os outros 14 professores da Unilab já trabalham em Redenção na implantação da instituição. A sede provisória da Universidade Federal de Integração LusoAfro-Brasileira, cedida pela prefeitura de Redenção, ainda está em construção. As obras estão atrasadas, mas a direção da universidade espera que em dezembro deste ano tudo esteja pronto, a tempo para receber os primeiros 350 alunos em 2011. As inscrições serão abertas em março de 2011. Inicialmente, serão 7 salas de aula, uma praça da alimentaçao e dormitórios pois a UNILAB é uma universidade residencial.

Cursos

Inicialmente, a Unilab vai oferecer 5 cursos: Formação de professores; Energia e desenvolvimento sustentável; Agronomia; Gestão pública e Enfermagem. A instituição terá um orçamento de 120 milhões de reais. Depois que o campus permanente for construído ao lado da atual sede provisória, cinco mil alunos serão beneficiados.

Metade das vagas é destinada a estudantes de países africanos de língua portuguesa ou do Timor Leste, e a outra metade a brasileiros, com prioridade para os estudantes da região de Redenção, como a estudante Samara, moradora da cidade cearense que esta concluindo o ensino médio e vai se candidatar à UNILAB. Não é ainda uma política de quotas. Para o reitor da UNILAB, Paulo Speller, que desde 2008 trabalha para a implantação da nova instituição, a iniciativa é ousada.

Antes mesmo da chegada dos primeiros estudantes, a instalação da universidade agita Redenção. Segundo a prefeita Cimar Bezerra, do Partido Popular Socialista, PPS, casas e pousadas estão sendo construídas de olho nos novos moradores, mas já há reclamação de inflação de preços. Apesar dessa agitação, a oposição da cidade esta desconfiada e chama a nova instituição de "Unilábia."

Para os interessados no Brasil e em países africanos de língua portuguesa, informações sobre as inscrições para a Universidade Federal de Integração LusoAfro-Brasileira, podem ser obtidas na internet no blog da UNILAB.

UNILAB

 

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