Caso Battisti

Itália adia discussão de acordo militar com o Brasil por causa de caso Battisti

José Cruz/ABr

Parlamentares decidem congelar estudo de proposta de acordos militares, postura vista como retaliação ao Brasil, que não aceitou o pedido de extradição do ex-militante italiano Cesare Battisti. Ele foi condenado na Itália  na década de 1970, acusado de envolvimento na morte de quatro pessoas.

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Paula Schmitt, correspondente da RFI em Roma

O valor do acordo é estimado em pelo menos 3 bilhões de dólares, e grande parte desse total seria usado para comprar navios e fragatas feitos por indústrias italianas. Caso o texto não for aprovado, o prejuízo será grande para a economia do país.

O acordo foi assinado em junho do ano passado, mas falta ser ratificado na Câmara dos Deputados. Essa última etapa foi adiada por uma decisão unânime dos deputados italianos. A data para uma nova discussão não foi decidida, mas segundo fontes parlamentares, o acordo vai ficar "congelado" até que a situação entre a Itália e o Brasil fique mais amena.

Esse é o primeiro arranhão nas relações comerciais entre os dois países desde que o então presidente Lula recusou o pedido de extradição do italiano Césare Battisti. A Itália pediu a extradição porque Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios. O ex-membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo foi julgado à revelia e nega os crimes.

Uma rara unanimidade uniu políticos da direita e da esquerda, que classificam Battisti como um criminoso comum, não ideológico A Itália chegou a consultar a União Europeia, que declarou não poder intervir num acordo bilateral direto entre a Itália e o Brasil. Mas o assunto não dá sinais de que deva sair das manchetes tão cedo. No dia 18 de janeiro, deputados da União Democrática de Centro vão votar uma moção pedindo mais uma vez a extradição de Battisti.

 

 

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