Brasil/Inundações

Organização Meteorológica Mundial diz que mortes no Rio poderiam ser evitadas

Vítimas das inundações sendo socorridas nas ruas de Teresópolis.
Vítimas das inundações sendo socorridas nas ruas de Teresópolis. Reuters

As mortes provocadas pelas chuvas diluvianas que atingem a região serrana do Rio de Janeiro poderiam ser evitadas na opinião de Gabriel Arduino, especialista do Departamento de Recursos Hídricos da Organização Meteorológica Mundial, com sede em Genebra. O especialista diz que se o sistema de alerta a chuvas no Brasil funcionasse corretamente, centenas de vidas seriam poupadas como acontece atualmente na Austrália.

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Maria Emilia Alencar e Ana Carolina Peliz

Gabriel Arduino conhece bem o Brasil, onde já realizou vários estudos sobre inundações e enchentes. Comparando a situação das chuvas que atingem atualmente o Brasil e a Austrália, o especialista da Organização Meteorológica Mundial afirma que a situação na Austrália é mais grave, porque a zona inundada é do tamanho da Alemanha e da França juntas. No Brasil, a região afetada é bem menor, talvez do tamanho da Suíça, o que não é um território enorme. "A diferença são os sistemas de alerta, que na Austrália funcionam bem e no Brasil não", disse Arduino em entrevista à RFI.

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De acordo com o especialista, as enchentes podem causar perdas de vidas humanas e perdas materiais. As perdas de vidas humanas são, segundo ele, as mais fáceis de evitar com um sistema de alerta. "Podemos avisar a população que vai chover e que as pessoas devem abandonar suas casas." Esse alerta funcionou muito melhor na Austrália do que no Brasil, porque na Austrália o dispositivo existe em todo o país, enquanto no Brasil muitas regiões não possuem um sistema para alertar a população de uma inundação.

Um sistema de alerta a chuvas não é muito caro, mas deve ser instalado e mantido em funcionamento. "Podemos dizer que na Austrália o sistema funciona bem porque o número de mortos foi pequeno em vista das fortes inundações que aconteceram no país", explicou Arduino. O número de mortes pode ser reduzido drasticamente. "É possível evitar praticamente todas as mortes", garante especialista do Departamento de Recursos Hídricos da Organização Meteorológica Mundial.

Entrevistado pela RFI, Sérgio Betterman, presidente da Câmara de Desenvolvimento Sustentável do Rio, informou que no último ano, após as enchentes do ano passado, foram incorporados no município do Rio de Janeiro radares de alerta à população com capacidade de avisar um bairro da chegada de uma "tromba d'agua", mas tudo isso está sendo feito de fato com muito atraso.

Para Betterman, não se pode atribuir exclusivamente ao aquecimento global esse tipo de tragédia. "Mas nós sabemos que essas chuvas fortes serão cada vez mais frequentes e encontrarão o nível do mar cada vez mais elevado, dificultando ainda mais o escoamento das águas." Betterman considera essencial elaborar medidas de prevenção e intervenção para evitar novas tragédias no futuro, sabendo que será mais difícil controlar a força das chuvas. Agir nesse sentido "é uma obrigação do governo e da sociedade do Rio", disse ele.

Segundo Betterman, a população da região serrana do Rio vem aumentando e a ocupação irregular continua sendo a única forma de uma parte da população carente conseguir um lugar para morar. O poder público tem muita dificuldade de intervir, porque isso implica a remoção das famílias que se encontram nesses locais de risco.

 

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