Brasil/Argentina

Direitos humanos ganham destaque na visita de Dilma à Argentina

Presidenta Dilma Rousseff acompanhada do vice-presidente Michel Temer antes de embarcar para Buenos Aires, Argentina/ Brasília, DF, 31/01/2011.
Presidenta Dilma Rousseff acompanhada do vice-presidente Michel Temer antes de embarcar para Buenos Aires, Argentina/ Brasília, DF, 31/01/2011. Roberto Stuckert Filho/PR

A presidente brasileira Dilma Rousseff chegou a Buenos Aires no início da tarde desta segunda-feira com uma hora de atraso para a sua primeira viagem internacional depois de eleita. Além do encontro oficial com a presidente Cristina Kirchner, Dilma encontra as mães da Praça de Maio, um compromisso que ressalta a importância da questão dos direitos humanos não só na agenda da presidente brasileira nesta visita à Argentina, mas também no seu governo, na opinião de Sebastião Velasco e Cruz, professor de Ciências Políticas da Unicamp.

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Para o especialista, o fato de Dilma Rousseff ter escolhido a Argentina para sua primeira viagem internacional aponta a continuidade da política externa brasileira. A ideia central, que orienta essa política iniciada no governo Lula, é o reforço da parceria estratégica com o ex-rival vizinho. Essa parceria é a garantia de uma maior liberdade na relação com a ainda potência hegemônica norte-americana, explica Sebastião Velasco.

Confirmando a superação dessa antiga rivalidade entre os dois maiores países da América do Sul, o professor da Unicamp cita o acordo que será assinado entre as duas presidentes durante a visita para a construção de dois reatores nucleares, um em cada país. O aprofundamento dessa relação bilateral ganha agora, na opinião de Sebastião Velasco, um colorido especial pelo fato dos dois países serem presididos por duas mulheres.

Outro tema que ganha relevância nesse início de contato entre as duas líderes é a questão dos direitos humanos. “Pelas circunstâncias das atrocidades vividas pela sociedade argentina no passado e pelo histórico pessoal da presidente Dilma que foi vítima dessas atrocidades”, lembra o especialista.

Nesse sentido, o encontro de Dilma com as mães da Praça de Maio é simbólico e terá um impacto principalmente na política interna brasileira, uma vez que esta questão ainda está em aberto no país, conclui Sebastião Velasco. O professor da Unicamp faz referência a obstrução da Comissão da Verdade que tenta contornar a lei da Anistia e apurar os crimes cometidos durante a ditadura militar brasileira.

Sebastião Velasco e Cruz, especialista em ciências políticas da Unicamp, entrevista de Maria Emília Alencar.

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