Brasil/BRIC

BRICs condenam uso da força militar na Líbia

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o presidente da China, Hu Jintao, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, durante foto oficial da 3ª Cúpula dos BRICs
O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o presidente da China, Hu Jintao, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, durante foto oficial da 3ª Cúpula dos BRICs Reuters
Texto por: RFI
4 min

Reunidos na ilha de Sanya, na China, os líderes dos BRICs, grupo que reúne as cinco potências emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e a África do Sul) condenaram nesta quinta-feira na declaração final do encontro da cúpula os bombardeios na Líbia, assim como em outros países do Oriente Médio.

Publicidade

Ana Carolina Dani, enviada especial da RFI à China

Os líderes das maiores economias emergentes do mundo afirmaram que a independência, soberania, unidade e integridade territorial de cada nação devem ser respeitadas, mas não fizeram um apelo imediato ao cessar-fogo. A ausência de uma condenação explícita à operação da Líbia, se deve à posição da África do Sul, único país dos BRICs a votar a favor da resolução da ONU que autorizou bombardeios internacionais contra as forças de Kadafi.

Os outros quatro, incluindo China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, se abstiveram, temendo que a operação levasse a mais vítimas civis. O porta-voz da presidência, Rodrigo Baena, confirmou à RFI que a fórmula incluída no texto final foi encontrada para contornar as divergências com os sul-africanos.

Também não houve consenso sobre outro tema divergente: a regulação dos preços das commodities. A Rússia e a China pressionaram para que a declaração final incluísse uma menção à necessidade de regular o mercado internacional das commodities para lutar contra a flutuação dos preços. Mas o Brasil é formalmente contra a proposta. A presidente Dilma Rousseff também defendeu a reforma das instituições internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, além do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Brasil reinvidica uma vaga permanente no Conselho, e tenta obter em vão o apoio da China. No documento final da reunião, os membros do BRIC reconheceram a necessidade da reforma do Conselho e a importância das aspirações do Brasil. A Índia e a África do Sul querem ter um papel mais ativo nas Nações Unidas, mas não indicaram um apoio explícito às ambições brasileiras.

Em sua declaração à imprensa, a presidente Dilma Rousseff disse também estar engajada na criação de uma ordem multipolar, sem hegemonias e disputas por áreas de influência. "Os membros do BRIC não se organizam contra nenhum outro grupo de países. Na verdade, trabalhamos com mecanismos de cooperação e governança global, sintonizados com o século 21. Isso é válido para as instituições financeiras, como o Fundo Monetário Internacional, e o Banco Mundial, que precisam dar continuidade à reforma de sua governança, bem como renovar suas instâncias dirigentes", afirmou.

A presidente Dilma Rousseff

O comunicado final também chamou a atenção para o fluxo crescente de capitais nas economias emergentes, e defendeu o aumento do uso das moedas locais nas trocas comerciais entre os países do grupo. Após a Cúpula, a presidente Dilma teve encontros bilaterais com Índia e África do Sul.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.