Brasil/Itália

Berlusconi diz que não quer guerra com o Brasil por causa de Battisti

Cesare Battisti ao deixar a prisão na noite de quarta-feira, no Brasil.
Cesare Battisti ao deixar a prisão na noite de quarta-feira, no Brasil. AFP/Evaristo SA

A opinião pública da Itália continua indignada com a liberação do ex-ativista de extrema-esquerda Cesare Battisti. No entanto, o chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que vai fazer tudo o que for necessário para contestar a decisão, mas que não pretende entrar em guerra contra o Brasil. Já o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, disse que a notícia foi uma vitória para o terrorismo.

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Em declaração feita nesta quinta-feira, Silvio Berlusconi se disse indignado com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro de conceder a liberdade e não extraditar o ex-ativista de extrema-esquerda Cesare Battisti para a Itália. O chefe do governo prometeu usar “todas as suas forças” para tentar mudar a medida, que “fere nosso sentido da justiça e fere todos os envolvidos nessa história”. Berlusconi confirmou que Roma pretende recorrer da decisão diante da Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia, na Holanda. "Mas não vamos entrar em guerra contra o Brasil", disse ele.

O tom também foi mais ameno do lado do presidente italiano, Giorgio Napolitano. Ele deplorou a decisão, que vai contra "as relações históricas de amizade entre os dois países", mas se comprometeu em apoiar plenamente as iniciativas da Itália “diante das instâncias encarregadas de garantir o respeito das convenções internacionais”.

Já o chefe da diplomacia italiana, Franco Frattini, continua irritado com a posição de Brasília. Mas para o chanceler, essa foi apenas uma derrota e "o jogo ainda não terminou". "O primeiro tempo foi vencido pelo terrorismo, mas o segundo tempo será disputado diante da Corte Internacional de Justiça", disse o ministro italiano. O CIJ, encarrega dos conflitos entre países, é o principal órgão da justiça nas Nações Unidas.

A Itália também recebeu o apoio do Parlamento Europeu, que pretende comunicar oficialmente às autoridades brasileiras sua indignação e seu "profundo amertume" diante da decisão de Brasília.

 

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