Brasil/Itália

Itália vai contestar no Tribunal Internacional de Haia não extradição de Battisti

Cesare Battisti deixa a prisão de Papuda, em Brasília, na última noite.
Cesare Battisti deixa a prisão de Papuda, em Brasília, na última noite. REUTERS/Ricardo Moraes

A Itália se sente mais uma vez humilhada pela decisão do Supremo Tribunal Federal de não extraditar Cesare Battisti e de liberá-lo da prisão. O governo italiano já anunciou que vai recorrer da decisão de Brasília na Corte Internacional de Justiça de Haia. Antes de fugir para o Brasil, Battisti viveu durante 14 anos na França.

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Para a Itália, a decisão brasileira de não extraditar Cesare Battisti é uma ofensa ao direto de justiça dos familiares das vítimas dos grupos armados de extrema-esquerda italianos. Roma também denuncia uma postura contrária às obrigações previstas em acordos internacionais firmados entre os dois países.

O chefe de governo Silvio Berlusconi expressou hoje seu profundo desgosto com a recusa do Brasil de não entregar à justiça italiana o ex-militante de extrema-esquerda. Em comunicado oficial, Berlusconi disse que a decisão do STF não levou em conta a expectativa legítima de que justiça fosse feita particularmente em relação às famílias das vítimas.

A ministra da Juventude, Giorgia Meloni, que ficou de plantão durante a madrugada, encarregada de dar a primeira reação oficial, disse que a libertação de Battisti foi “um tapa nas instituições italianas,” e “um ato indigno de uma nação democrática”. Ela afirmou que essa é a “enésima humilhação causada às famílias das vítimas”.

Decisão do STF

Cesare Battisti foi libertado na última noite da prisão de Papuda, em Brasília, após o voto STF que confirmou a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitando o pedido de extradição italiano. A decisão de Lula no último dia de seu mandato, em 31 de dezembro de 2010, já havia provocado uma crise diplomática entre os dois países.

Battisti foi condenado à revelia na Itália em 1993 por quatro assassinatos e cumplicidade em outras mortes nos anos 70, quando integrava o grupo Proletários Armados do Comunismo. Ele nega os crimes.

O ex-militante de extrema-esquerda italiano fugiu da prisão na Itália em 1981 e viveu refugiado na França, protegido por uma decisão do ex-governo socialista francês, até 2004. Diante da ameaça de ser extraditado para a Itália pela França, fugiu para o Brasil onde foi preso em 2007.

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