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Les Echos destaca posição do Estado brasileiro no projeto de fusão CBD-Carrefour

O empresário, Abílio Diniz, diz que a fusão "elevaria o capital do Pão de Açúcar para 17 bilhões de reais".
O empresário, Abílio Diniz, diz que a fusão "elevaria o capital do Pão de Açúcar para 17 bilhões de reais". RFI

O diário especializado em economia Les Echos destaca em manchete a batalha travada entre os dois gigantes da distribuição francesa, Carrefour e Casino, para aumentar sua participação no mercado brasileiro, destacando que a proposta de fusão do Carrefour com o Pão de Açúcar tem o incentivo direto do Estado brasileiro.  

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Les Echos estima que as ambições do Carrefour de aumentar sua presença no Brasil, terceiro mercado mundial de venda de alimentos, começam a se concretizar. Com manchete nesta quarta-feira e reportagem de duas páginas na mesma edição, o jornal afirma que o governo brasileiro incentiva financeiramente o projeto de fusão anunciado ontem pelo Carrefour e a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), detentora da marca Pão de Açúcar, do empresário Abílio Diniz.

Les Echos explica que o banco BTG Pontual, "um dos mais agressivos na montagem de operações de alto risco no Brasil", criou uma entidade financeira, a Gama, 100% controlada pelo BNDES. Pela montagem, o Banco Nacional de Desenvolvimento vai transferir 1,7 bilhão de euros (3,9 bilhões de reais) de fundos próprios para a Gama, aos quais vão se somar mais 300 milhões de euros (690 milhões de reais) do BTG e 500 milhões (1,1 bilhão de reais) de outras fontes de investimento. O projeto prevê em seguida a fusão da Gama com a CBD, uma operação que deve ser aprovada pelas assembleias de acionistas das duas empresas. E é aí, segundo Les Echos, que o Casino, atual sócio do Pão de Açúcar e parte "traída" na transação, pode se opor.

Les Echos cita o comentário de Abílio Diniz de que a aproximação com o Carrefour trará benefícios consideráveis. "O negócio elevaria o capital do Pão de Açúcar para 17 bilhões de reais e a nova marca Gama seria cotada na Bolsa de Valores de São Paulo e Nova York", escreve Les Echos. Mas como detalha o jornal, o principal interesse de Diniz é permanecer na direção do grupo e dar continuidade à construção de seu império. Pelo acordo passado em 2005 com o Casino, o bilionário brasileiro teria que ceder a direção do Pão de Açúcar ao sócio francês no ano que vem. E isso Diniz quer evitar.

Diniz vai enfrentar a oposição dos dirigentes do Casino. O grupo controlado pelo empresário francês Jean-Charles Naouri considera o projeto de fusão ilegal e avisa que não vai dar sossego nem a Abílio Diniz nem ao Carrefour. Les Echos afirma, no entanto, que a posição do governo brasileiro é que vai fazer a diferença. Segundo um representante do Carrefour, "o Casino vai ter de entender que ele não poderá impedir o Estado brasileiro de criar um campeão mundial da distribuição" ao preço de enfrentar problemas para continuar atuando no país. Já um assessor do Casino ameaça o Brasil com uma fuga de investidores, às vésperas das Olimpíadas do Rio de Janeiro e da Copa do Mundo, "se der uma de Estado bandido que não faz cumprir a lei".

O projeto de fusão anima os investidores na bolsa de Paris, que segundo Les Echos estão dispostos a investir na troca de ações do Casino pelas do rival Carrefour com a perspectiva de o grupo triplicar seus ganhos no mercado brasileiro.
 

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