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Brasil/G20

Dilma Rousseff chega ao G20 de Cannes em meio a crise europeia

Presidenta Dilma Rousseff durante desembarque no aeroporto de Nice.
Presidenta Dilma Rousseff durante desembarque no aeroporto de Nice. Roberto Stuckert Filho/PR.
Texto por: Ana Carolina Dani
5 min

A presidente Dilma Rousseff já está em Cannes, conhecido balneário do sul da França, para participar da cúpula dos chefes de governo e de Estado do G20. As maiores economias mundiais se reúnem nesta quinta e sexta-feira com a prioridade absoluta de delinear uma resposta coordenada à crise europeia. 

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Entre os principais temas de discussão está a participação dos emergentes no chamado Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, criado após a crise da dívida grega para socorrer os Estados mais fragilizados da região. O Brasil já deu a entender que a solução para a crise deve vir, antes de tudo, dos países europeus. Na última ministerial do G20, em outubro em Paris, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que Brasília até poderia ajudar, mas por meio de acordos bilaterais via Fundo Monetário Internacional (FMI). O ministro chegou a declarar que os emergentes não tinham nada que fazer disponibilizando recursos ao Fundo de Estabilidade Europeu.

A questão, entretanto, não é consensual e o assunto pode ser discutido por Dilma Rousseff durante as reuniões bilaterais desta quarta-feira, quando a líder brasileira se encontra com o presidente da China, Hu Jintao. Os chineses já sinalizaram com a intenção de participar do Fundo, mas devem afinar a modalidade e as condições durante a cúpula do G20. Dilma também se reúne nesta quarta-feira com a primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, e o diretor-geral do Organização Mundial do Trabalho (OIT), Juan Somavía.

O Brasil também deve defender, em Cannes, a ideia de que a crise somente poderá ser superada com políticas que promovam o crescimento e o emprego. A presidente Dilma Rousseff vem insistindo que é um erro centrar os programas de ajuste fiscal unicamente nos cortes de gastos, visão que a Alemanha tem conseguido impor aos outros países europeus. Antes de embarcar para Cannes, Dilma disse, em São Paulo, que o Brasil irá sustentar que o "G-20 deve agir propondo tanto medidas financeiras emergenciais como também um plano de sustentação do investimento e do emprego".

Outro assunto que deve voltar à mesa de discussões é a guerra cambial entre China e Estados Unidos. Nesse ponto, o governo brasileiro critica tantos os chineses, quanto os norte-americanos. O Brasil acha que a China deveria dar mais ênfase ao mercado interno e manipular menos o câmbio, para que o yuan, a moeda chinesa, não seja mantida artificialmente desvalorizada.

Brasília também critica a política norte-americana de injeção direta de dinheiro na economia, que tem como efeito a entrada de dólares no Brasil (investidores atraídos pelos juros altos) e a consequente valorização do real, o que acaba prejudicando as exportações brasileiras.

A presidente Dilma Rousseff chegou à França acompanhada do ministro da Fazenda, Guido Mantega, do chanceler Antonio Patriota e da secretária de Comunicação Social, Helena Chagas.

Plano europeu

Na cúpula do G20, os países europeus terão a difícil tarefa de convencer os outros membros do grupo de que o plano anti-crise negociado no último dia 27 de outubro, em Bruxelas, é suficiente para estancar a crise grega, evitar um quebra-quebra generalizado dos bancos europeus, e reforçar o poder de fogo do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira.

O plano prevê a expansão dos recursos do Fundo Europeu dos atuais 440 bilhões de euros para mais de 1 trilhão de euros. Outro ponto importante foi o acordo com os bancos detentores de títulos da dívida grega para que aceitem perdas de, pelo menos, 50% no valor dos papéis. Essas medidas serão parte do plano de ação global que deve ser adotado pelos países do G20 para enfrentar as "vulnerabilidades" da economia mundial e consolidar os princípios de um crescimento "forte, equilibrado e sustentado", premissas que fazem parte de todas as declarações finais das últimas cúpulas do grupo.

As maiores economias do planeta também devem avançar em questões como a regulação do sistema financeiro e do mercado de derivativos dos produtos agrícolas, ideia particularmente defendida pela França, que presidente atualmente o G20. Também serão discutidos meios de lutar contra as mudanças climáticas, com base em um relatório que será apresentado pelo fundador da Microsoft, Bill Gates, além da criação da polêmica taxa sobre transações financeiras, defendida pela França e Alemanha, mas rejeitada por países como os Estados Unidos e Grã Bretanha.
 

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