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Guiana francesa/ ouro

França reclama de garimpeiros brasileiros na Guiana Francesa

Garimpo ilegal em Maripasoula, na Guiana.
Garimpo ilegal em Maripasoula, na Guiana. (Photo : Jean-Marie Chazeau)
Texto por: RFI
3 min

A França exige uma maior cooperação ao Brasil e ao Suriname para lutar contra a busca clandestina de ouro na Guiana Francesa, num momento em que o preço do metal precioso registrou aumentos recordes. O principal dirigente da Guiana Francesa, Rodolphe Alexandre, criticou a inércia das autoridades brasileiras em termos de "imigração clandestina" relacionada com a busca ilegal do ouro.

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Segundo o Escritório de Busca Geológica e Mineração francesa, esta atividade tem um potencial de 120 toneladas, enquanto os prospectores o avaliam entre 200 e 400 toneladas. Alexandre disse estar "indignado com os numerosos redutos" de busca clandestina de ouro por garimpeiros em várias regiões da selva da Guiana. "Vi centenas de garimpeiros brasileiros", afirmou à televisão local. "Há uma incapacidade de prendê-los. Dá a impressão de que existe uma orquestração política, uma rede quase mafiosa que facilita a vinda destes (imigrantes) clandestinos utilizados como escravos", lamentou.

Segundo ele, o ouro registrado até 2009 em Oiapoque, cidade brasileira situada na fronteira, era registrado como produto brasileiro, quando na realidade é francês. De acordo com Alexandre, o estado brasileiro do Amapá, limítrofe com a Guiana Francesa, "faz vista grossa sobre a origem de dezenas de toneladas de ouro que são vendidos ou exportados em seu território".

Alexandre afirmou que pode não participar da próxima reunião da comissão transfronteiriça se o governador do Amapá não autorizá-lo a explicar aos parlamentares do estado brasileiro "as dificuldades enfrentadas pela Guiana Francesa". Os dois países assinaram, em 2008, um acordo de cooperação contra a busca ilegal de ouro, que foi ratificado em abril passado pela França. Mas pela parte brasileira, a ratificação ainda não foi feita. "Deve estar ainda na comissão que examina a constitucionalidade do texto", afirmou à AFP a consulesa do país na Guiana, Ana Beltrame.

Em setembro, a ministra francesa de Territórios Ultramarinos, Marie-Luce Penchard, recentemente declarou que a cooperação com o Brasil no tema era "complicada", e que com o Suriname era "mais complicada ainda". As afirmações foram feitas em Caiena, quando apresentou um sistema de luta contra a garimpagem clandestina chamado de "Harpie".

"Continuam existindo muitos garimpeiros de ouro. O preço do ouro, que aumentou 30% em um ano e chegou aos 40 euros a grama, os motiva", declarou na época o comandante da polícia da Guiana, Didier Laumont.
A extração ilegal de ouro, que requer menos combustível que a produção de ouro de aluvião, tende a crescer. Assim, a operação Harpie permitiu desmantelar 172 poços nos oito primeiros meses de 2011, contra os 67 em 2010.
 

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