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Rio/Crack

Rio quer "limpar" as ruas de usuários de crack, diz Le Monde

RFI
Texto por: Taíssa Stivanin
3 min

O Le Monde desta quinta-feira destaca na primeira página uma reportagem que mostra o esforço das autoridades brasileiras para retirar das ruas do Rio de Janeiro os menores usuários de crack. Para o jornal vespertino francês, o governo brasileiro quer "limpar" as avenidas cariocas antes da Copa do Mundo e das Olímpiadas.

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A reportagem, realizada na favela do Jacarezinho, mostra quem são as crianças de rua, na maior parte jovens entre 10 e 14 anos, que estão sendo levadas para os dez centros de desintoxicação cariocas, quatro deles criados pela Prefeitura. Usuários de crack, cola, e outras drogas "baratas", entregues à sua própria sorte, filhos de famílias instáveis, eles são, segundo o Le Monde, o novo alvo das autoridades brasileiras. O objetivo: ‘limpar’ as ruas antes da Copa do Mundo de 2014 e das Olímpiadas em 2016.

O método, que vem sendo adotado desde maio de 2011, consiste em internar os menores, mesmo contra a vontade, nesses centros, que são na maior parte administrados por grupos religiosos. Uma lei municipal adotada recentemente pela prefeitura do Rio obriga as crianças a se submeterem a um tratamento para se livrarem do vício. Ao todo, desde a implantação do programa, pelo menos 544 foram levados para tratamento. Nos centros, eles são submetidos a uma disciplina rigorosa, são medicados, e passam pelo período de abstinência com acompanhamento médico e psicológico.

De acordo com Rodrigo Bethlem, secretário municipal da Ordem Pública, entrevistado pelo jornal, outras políticas fracassaram, como a internação voluntária, o que levou a cidade a adotar medidas mais coercitivas. A implantação de tais medidas ironicamente coincide, segundo o Le Monde, com a proximidade da Copa e das Olímpiadas, já que boa parte desses menores assaltam os turistas que visitam a cidade, e contribuem para reforçar a imagem do Brasil de país violento.

Nem todos os especialistas concordam com essa maneira de resolver o problema. O ex-secretário Carlos Augusto, também ouvido pelo Le Monde, acredita que a determinação das autoridades está ligada aos dois eventos iminentes. De acordo com ele, a vontade de ‘limpar’ a rua sempre existiu, mas ganhou força desde que o governo soube que sediaria os dois eventos, e caberia à administração municipal do rio, cartão postal do país no exterior, encontrar uma solução. Segundo as estatísticas, mais de um milhão de pessoas consome o crack no Brasil, em diversas cidades. Um recente estudo, diz o Le Monde revela que alguns jovens usuários foram vítimas de maus-tratos em centros de desintoxicação no Rio.
 

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