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Imprensa francesa/Brasil

Urbanização de favelas do Rio é destaque em jornal francês

Teleférico que atravessa o Complexo do Alemão.
Teleférico que atravessa o Complexo do Alemão. A.Gasnier/RFI
Texto por: RFI
3 min

"No Rio de Janeiro, as favelas têm cara nova", anuncia matéria do La Croix desta sexta-feira. O texto assinado pelo enviado especial Steve Carpentier parte do já famoso passeio de teleférico pelo Morro Dona Marta e vai parar no problema do déficit habitacional. Em duas páginas, o diário católico aponta o crescimento do turismo no "Alto Rio" (aquele que se empoleira nas montanhas) e de sua relação com as UPPs, as Unidades de Polícia Pacificadora.

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"Situada no alto da favela", escreve o repórter, "a delegacia de polícia provocou a fuga dos traficantes de drogas e acabou com as trocas de tiros entre gangues rivais. A antiga escola transformada em base policial, outrora desfigurada pelos impactos de balas de grosso calibre, não passa de uma lembrança ruim". Mas o Dona Marta é uma exceção, como aponta discretamente a reportagem ao descrevê-lo como um "laboratório de testes de programas de revitalização urbana e de infra-estrutura pública, principalmente de saúde e educação".

Mais incisivo é o entrevistado Aurélio Fernandes, da Federação das associações de favelas do Estado do Rio de Janeiro. Para ele, todos os trabalhos no Dona Marta, em Manguinhos, na Cidade de Deus, no Morro do Alemão "operações pontuais de maquiagem destinadas simplesmente a fins eleitorais, pois não existe real vontade política de transformar as favelas em bairros de verdade. Se as condições de vida melhoraram, foi graças à iniciativa dos moradores que investiram seu próprio dinheiro na renovação de suas casas e não pela vontade dos programas públicos".

Carpentier aponta um programa público que pode mudar essa perspectiva, o "Morar Carioca", que promete investir mais de R$ 1,2 bilhão e contratar 40 escritórios de arquitetura daqui a 2020 para urbanizar o conjunto das favelas da cidade. "Um projeto titânico", escreve. Mas recorre a um professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para mostrar que para tudo, há contrapartidas. Se a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 geraram a motivação pública de atacar o problema da educação, eles também podem impactar e muito a vida dos cariocas. De acordo com a organização esquerdista Conselho Popular, 150 mil pessoas correm risco de ser desabrigadas ou realocadas. Nem é preciso dizer: são todos moradores de favelas.

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