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Brasil/ crack

Ao contrário de São Paulo, Europa prefere atrair usuários de crack ao tratamento

Usuários de crack perambulam pelas ruas do Rio de Janeiro.
Usuários de crack perambulam pelas ruas do Rio de Janeiro. REUTERS/Osvaldo Praddo
Texto por: RFI
3 min

A internação forçada de usuários de crack em São Paulo provoca polêmica no Brasil e está longe de ser consenso entre especialistas. A medida, concebida através de uma cooperação entre o governo do Estado de São Paulo, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil, passou a vigorar nesta segunda-feira, e visa a obrigar viciados em crack em situação de risco a serem internados para tratamento, mesmo sem o próprio consentimento ou da família.

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Na Europa, a visão é um pouco diferente. O problema do crack representa apenas 15% das internações no continente, mas os europeus já tiveram um longo combate contra a heroína nas décadas passadas. Essa luta está sendo vencida graças ao trabalho de assistência social, conforme Alessandro Pirona, analista científico da Unidade de Saúde e Respostas Sociais do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.

"A resposta que nós encontramos não foi uma resposta forçada, mas sim de saúde pública. Conseguimos isso através da redução dos riscos, e atraindo os usuários para os centros de tratamento", afirmou Pirona, em entrevista à RFI. "Tem a iniciativa da abertura de salas para o consumo, como na Holanda e na Alemanha. Soluções como estas atraem os consumidores, e lá nós podemos ajudá-los, apoiá-los, através do diálogo. Quando eles estiverem pronto, eles vão para o centro de tratamento."

Na Europa, não existe uma medida semelhante à brasileira para usuários de drogas. O que pode ocorrer é, no caso de o viciado cometer um crime, ele ter a escolha entre a internação ou a prisão. "Se há um delito criminal sem gravidade, o que acontece é que o dependente químico tem a escolha de ir para a prisão ou para o tratamento. É o que nós chamamos de internação quase forçada, quase obrigatória", explicou.

Conforme o observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, os países que mais têm usuários de crack na Europa são a Grã-Bretanha, a Irlanda, a Alemanha e a França.

 

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