Relações comerciais

Presidente egípcio visita Brasil para aumentar relação com Ocidente

O presidente egípcio Mohamed Mursi, que se reúne com Dilma Rousseff nesta quarta-feira
O presidente egípcio Mohamed Mursi, que se reúne com Dilma Rousseff nesta quarta-feira AFP PHOTO/FAYEZ NURELDINE

A presidente Dilma Rousseff recebe nesta semana, em Brasília, o presidente do Egito, Mohamed Mursi, que faz a última de suas visitas pelos Brics, o grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul. Mursi quer ampliar seus laços comerciais com o Ocidente. É a primeira vez que um presidente egípcio visita o Brasil. O chefe de Estado chega nesta terça-feira e deve se encontrar com a presidente brasileira na quarta.

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Para o professor de Relações Internacionais Argemiro Procópio Filho, da Universidade de Brasília, é uma oportunidade de o Brasil estreitar as relações com um país estratégico. "O Egito sempre representou uma ponte para o diálogo entre o Ocidente e o mundo árabe. Lá se encontram um dos maiores números de representações diplomáticas, e é importante para o Brasil, que quer ganhar relevância no cenário internacional, se aproximar do Egito", avalia.

Reportagem - Mursi no Brasil

Mesmo com a crise política que desestabiliza o Egito nos últimos dois anos, desde que o ex-ditador Hosni Mubarak foi deposto, a balança comercial não foi alterada. Em 2012, o volume do comércio bilateral foi de US$ 2,7 bilhões. Para Procópio Filho, esses números têm potencial de aumentar substancialmente, em função dos laços culturais entre o Brasil e o mundo árabe e do perfil das importações do Egito. "Temos uma das maiores colônias árabes do mundo. A influência é muito presente no Brasil. Sem contar que exportamos alimentos em larga escala e eles importam muito esse tipo de produto", comenta.

O Egito tenta recuperar-se economicamente, depois que a queda do turismo e dos investimentos estrangeiros provocaram uma baixa importante das receitas do país. Na reunião com Dilma Rousseff, Mohamed Mursi deve ainda defender a participação do Egito na próxima cúpula dos Brics, que será realizada no Brasil, em 2014.

Reforma ministerial
Ao mesmo tempo em que busca ampliar sua presença comercial no exterior, Mursi se esforça para controlar a instabilidade política no plano interno. Nesta segunda-feira, o governo anunciou que vai trocar 11 ministros, incluindo o responsável pelo setor de Petróleo. Entre as outras pastas que sofrerão mudanças, as mais importantes são Educação, Justiça e Agricultura. Apesar do anúncio da reforma, o governo não especificou um prazo para as trocas.

A medida, entretanto, não agrada a oposição, que exige uma reforma ministerial completa. A Frente Nacional da Salvação, uma aliança de partidos não islâmicos, quer a substituição do primeiro-ministro Hisham Kandil, e a instauração de um governo neutro para supervisionar as eleições parlamentares deste ano.

Colaborou Gustavo Ribeiro
 

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