Brasil/Protestos

Le Monde diz que movimento social no Brasil é criativo e efervescente

"Fale agora ou cale-se para sempre", diz cartaz de manifestante em São Paulo, no dia 22 de junho de 2013.
"Fale agora ou cale-se para sempre", diz cartaz de manifestante em São Paulo, no dia 22 de junho de 2013. REUTERS/Junior Lago
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A edição do fim de semana do jornal Le Monde dedica duas páginas às manifestações pela melhoria do serviço público no Brasil e contra os gastos excessivos do governo nos estádios da Copa de 2014. O jornal mostra aos leitores franceses que "o Brasil foi tomado por um movimento criativo e efervescente, deflagrado por uma revolta social de amplitude inédita desde o fim da ditadura em 1985".

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Por meio de depoimentos de manifestantes, o Le Monde explica que os protestos cobrem um espectro político amplo, que vai da esquerda à direita, com participação da classe média e média-alta. "Os indignados brasileiros são encontrados em todas as camadas sociais", diz o Monde.

As ruas do país foram invadidas pela multidão, de norte a sul. O morador da Rocinha, no Rio de Janeiro, Pablo de Amorim Ribeiro, de 24 anos, relata ao jornal que participa de manifestações pela primeira vez por acreditar que sua geração merece um país melhor do que os atuais governantes oferecem aos jovens. Ele denuncia a "falsa segurança" nas favelas ocupadas pelas unidades da UPP, dizendo que "as armas dos traficantes desapareceram das ruas durante o dia, mas à noite o tráfico de de drogas não mudou".

O casal Paulo e Diailze Pacito, ouvido pelo Le Monde em São Paulo, conta que resistiu a sair nas ruas por se considerarem privilegiados, mas acabaram cedendo à filha adolescente de 17 anos, Luiza, que, chorando, implorou aos pais que eles fossem com ela a uma manifestação na avenida Paulista.

A família Pacito participou da passeata com um cartaz contra a corrupção. Finalmente, todos apreciaram ter vencido a resistência de ficar em casa para protestar contra "um sistema que está errado". "Apenas 4% da população brasileira detém 90% da riqueza do país. Sem dinheiro para pagar escolas privadas e um bom seguro de saúde, os brasileiros mais pobres não têm chance de se oferecer uma vida digna." "É injusto", resume o chefe de família. "Eu fico triste de admitir isso para um estrangeiro, mas eu me sinto mal em meu país", conclui o paulista.

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