Estados Unidos/Brasil

Barack Obama promete dar uma resposta até quarta-feira sobre espionagem de Dilma

O presidente americano Barack Obama e Dilma Rousseff na foto de encerramento do G20
O presidente americano Barack Obama e Dilma Rousseff na foto de encerramento do G20 Foto: Reuters

Em entrevista coletiva após a Cúpula do G20 que acontece em São Petesburgo, a presidente brasileira declarou que Obama se disse diretamente responsável pelo programa de rastreamento de seus dados eletrônicos e ligações, e dará uma resposta até quarta-feira. A visita oficial aos EUA em outubro ainda não foi confirmada.

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“Diante do meu ceticismo devido à falta de resultados do encontro entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o vice-presidente Biden, ocorrido semana passada, o presidente Obama me reiterou que ele assumia a responsabilidade direta e pessoal tanto para a apuração das denúncias como para oferecer as medidas que o governo brasileiro considerasse adequadas”, disse Dilma.

A presidente declarou que enviará uma proposta de projeto à Assembleia Geral da ONU propostas contra a violação do acesso a dados privados.

As relações entre o Brasil e os Estados Unidos estão estremecidas desde que o governo brasileiro soube que os e-mails e ligações de Dilma e seus assessores foram espionados pela NSA, a agência de segurança americana.

Mais cedo, o conselheiro de Obama, Ben Rhodes, já havia declarado que o presidente daria uma satisfação sobre as acusações. A resposta dos Estados Unidos para o Brasil e o México é um "processo que está em curso."

A presidente brasileira também respondeu que a viagem oficial aos Estados Unidos, prevista para o dia 23 de outubro, ainda não estava confirmada, e dependeria de "condições políticas." Nesta quinta-feira, ela cancelou o envio da equipe que prepararia sua viagem.

Antes da foto oficial dos chefes de estado da Cúpula do G20, o clima entre Barack e Obama parecia descontraído, observaram os fotógrafos. Ele chegou acompanhado da chanceler alemã Angela Merkel, e cumprimentou Dilma com um beijo no rosto.

A denúncia de espionagem veio à tona depois das revelações do ex-consultor da NSA, Edward Snowden. Os documentos que provam o acesso a dados eletrônicos da presidente foram entregues à imprensa pelo jornalista do The Guardian, Glenn Greenwald, que vive no Brasil, e revelou a existência do programa do governo americano.

No Senado, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi instaurada para investigar as acusações.
A Polícia Federal também pedirá a autorização do governo russo para interrogar Edward Snowden, que está vivendo como exilado politico do país desde que deixou o aeroporto de Moscou, em junho.
 

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