Eleições/Brasil

Candidatura de Marina Silva ameaça reeleição de Dilma, diz Le Monde

Marina Silva durante a apresentação nesta quarta-feira (20) como candidata à presidência pelo PSB no lugar de Eduardo Campos.
Marina Silva durante a apresentação nesta quarta-feira (20) como candidata à presidência pelo PSB no lugar de Eduardo Campos. REUTERS/Ueslei Marcelino

A edição do jornal francês Le Monde que chegou às bancas nesta quinta-feira (21) traz uma matéria sobre a candidatura de Marina Silva, oficialmente anunciada ontem pelo PSB para substituir Eduardo Campos, morto em um acidente de avião no último dia 13. O diário acredita que a candidata pode mudar o rumos das eleições presidenciais brasileiras e ameaça a reeleição da presidente Dilma Rousseff, a cinquenta dias do pleito.

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Até a morte de Campos, a campanha presidencial brasileira era uma das mais brandas de todo o tempo, avalia o correspondente do diário centrista no Rio de Janeiro. Le Monde lembra que, antes mesmo do anúncio oficial de Marina Silva como a nova candidata do PSB, uma pesquisa do Datafolha, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, na última segunda-feira, apontou que a ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula chega em segundo lugar na corrida presidencial, com 21% das intenções de voto.

Além de ultrapassar a posição do candidato do PSDB, Aécio Neves, que tem 20% das intenções de voto, Marina também desbancaria Dilma Rousseff no segundo turno das eleições. De acordo com a pesquisa, a candidata do PSB teria 47% da preferência dos eleitores contra 43% para a presidente.

Le Monde lembra que as últimas estatísticas publicadas antes da morte de Eduardo Campos mostravam que Dilma tinha 36% das intenções de voto, contra 20% de Aécio e 8% do ex-candidato socialista. “O anúncio da candidatura de Marina Silva foi suficiente para multiplicar quase por três os resultados do PSB nas pesquisas”, publica o diário.

O jornal avalia que Marina pode ser a responsável pela recuperação da voz política dos brasileiros, lembrando que desde o fim da ditadura militar, em 1985, esta é a primeira vez que mais da metade dos eleitores afirmam não se reconhecer em nenhum dos partidos que lideram a corrida presidencial.

Desafios numerosos

No entanto, lembra Le Monde, isso não significa que Marina não tenha numerosos desafios pela frente, até mesmo dentro do próprio PSB, onde foram tensas as negociações para que a candidata substituísse Eduardo Campos.

Fora do partido, a situação está longe de ser tranquila, ressalta o diário. A começar pelo curto tempo de propaganda eleitoral ao qual tem direito o PSB: apenas dois minutos por dia. Já o PT tem direito a 11 minutos e o PSDB a quatro minutos.

Depois, a candidata terá que enfrentar a estratégia de campanha do PT que tem por objetivo desconstruir a imagem progressista da substituta de Campos, denunciando seu conservadorismo social e sua filosofia liberal em matéria de economia. O engajamento ecológico de Marina também prejudicaria o crescimento econômico brasileiro, aos olhos dos trabalhistas.

Já o PSDB pretende criticar a fraqueza que a candidata poderia apresentar na gestão e na governança. “A cinquenta dias do primeiro turno, a campanha só está começando”, finaliza Le Monde.

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